Vários exemplos. De um lado temos os perigosos racistas. Não se coíbem de o mostrar, com mais ou menos violência, que estão cá para lutar pela supremacia branca. Não têm o mínimo pejo em mandar negros para a "terra deles", em insultar, discriminar, violentar e até matar. Mas por outro lado, temos os perigosos anti-racistas. Negros e brancos que não têm vergonha de admitir que a cor da pele não pode nunca ser factor de discriminação e violência, muito menos, de menos direitos cívicos. Ideias extremistas de querer igualdade para todos independentemente da cor da pele ou nacionalidade que são cada vez mais populares com todos os efeitos nocivos que isso tem para a supremacia branca.

Temos também os horríveis machistas que querem manter vivo o patriarcado, a inferioridade da mulher aos pés do homem, a violência contra as mulheres, seja o femicídio, a violação, violência doméstica, assédio sexual e tanto mais. Mas, por outro lado, também temos as perigosíssimas feministas, havendo igualmente – pasme-se! – homens que o são. Mulheres e homens que dizem com imenso orgulho coisas tão escabrosas como "mulheres e homens são iguais em direitos e capacidades" ou "o machismo mata". Também é preciso ter calma com este tipo de discurso, além de ser violento e poder magoar quem seja machista, pode até ser contraproducente e piorar tudo. O feminismo é uma arma que pode atingir letalmente o patriarcado. Perigoso.

E há também os homofóbicos que agridem verbal ou fisicamente quem seja gay, e claro que isso é mau, mas também é um exagero radical que os gays agora andem de mão dada na rua sabendo que é uma provocação para as pessoas mais conservadoras podendo até ser a ruína da família tradicional. E como isto, muito mais.

Por isso é que há cada vez mais, e bem, esta retórica da polarização da sociedade. Há cada vez mais anti-fascistas, anti-racistas, feministas, pro-LGBTI+ e todos com esse discurso perigosamente extremista de igualdade para todos. Nem sequer percebem que é também por causa deles que há cada vez mais fascistas, racistas, machistas e homofóbicos, e não é por causa do ódio que estes têm em si.

E por isso é que é tão importante o papel dos moderados nestes assuntos, para meter água na fervura e estar constantemente a dizer que é tão mau ser anti-racista como racista, por exemplo, e para evidenciar que a igualdade é um extremismo, mesmo que muitos não o queiram ver. Estes moderados clarividentes serem todos homens brancos heterossexuais é só uma coincidência.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Caderno de Memórias Coloniais: um belo e duro livro de Isabela Figueiredo

- O Crepúsculo das Democracia: “o fracasso da política e o apelo sedutor do autoritarismo”

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