Mais dois massacres nos Estados Unidos da América, ou seja, mais uma semana normal no “melhor país do mundo”. A culpa é de quem? Trump diz que é dos videojogos violentos e da falta de regulamentação nesse sector. Faz todo o sentido, sendo que alguns jogos já foram banidos ao longo dos anos e que qualquer pessoa consegue comprar uma metralhadora automática, parece-me que a falta de controlo dos videojogos é exactamente a mãe de todas as culpas dos massacres constantes nos EUA.

Aliás, os videojogos sempre tiveram um efeito nefasto na sociedade. Todas as pessoas que vemos a atravessar a estrada fora da passadeira foram influenciadas pelo jogo Frogger, onde éramos uma pequena rã que tinha que atravessar estradas movimentadas. Por algum motivo é que os velhos atravessam a estrada onde bem entendem, pois o jogo é de 1981 e são os que mais tiveram contacto com ele.

Até a corrupção é culpa dos videojogos. Lembro-me de jogar SIMS e meter cheats para ter dinheiro infinito e construir a casa dos meus sonhos. Agora em adulto, vejo que tenho de trabalhar no duro para ter dinheiro e isso entristece-me e percebo perfeitamente quem use esquemas ilícitos para enriquecer, pois habituou-se a jogar todos os jogos em God Mode.

A maior prova de que a violência nos videojogos influencia a sociedade é que em Portugal, apesar do serviço militar já não ser obrigatório, toda a gente quer ir para lá porque jogou Call of Duty e Counter Strike. Milhares de nerds fazem fila para se inscreverem e terem oportunidade de ir para a guerra. São todos reprovados na inspecção, devido à falta de massa muscular e dioptrias, mas o que conta é a intenção.

Nos bairros problemáticos da periferia das grandes cidades, onde há focos de criminalidade, o único factor comum não são as desigualdades e falta de oportunidades, mas sim o facto de todos jogarem os mesmos videojogos. Jogam muito GTA e Sonic, o que é uma combinação explosiva pois ficam com o bichinho do crime e viciados em apanhar anéis de ouro. As lutas de cães, por exemplo, são influenciadas pelo Angry Birds, onde as crianças são habituadas que a violência sobre os animais, atirando periquitos contra porcos, é algo normal. Crescem, e claro que vão ser adeptos de touradas e de lutas de pitbulls.

Um dos jogos que mais me influenciou negativamente foi o Prince of Persia. Joguei-o inúmeras vezes enquanto criança e ainda hoje sinto o impacto em mim. Cada vez que tento engatar uma rapariga, a única forma que sei fazer é munir-me de uma espada e ir resgatá-la de casa, matando toda a gente com turbante que encontrar pelo caminho.

Todas as grandes tragédias são culpa dos jogos de computador ou de consola: os ataques no 11 de Setembro só aconteceram por culpa do Flight Simulator; tsunami na Tailândia foi porque Deus jogava muito Sim City; o atentando em Nice com um camião foi resultado de muitas horas a jogar Carmageddon; o Sporting não ter sido campeão na época de 2015/2016 foi culpa do Jorge Jesus que jogou pouco Elifoot.

O único impacto positivo dos videojogos é para quem joga World of Warcraft. Porquê? Porque tem um risco muito menor de contrair doenças sexualmente transmissíveis devido ao manto da virgindade que os protege. Isso e o facto de o Ronaldo ser o jogador que é apenas e só por ter passado tardes inteiras, enquanto miúdo, a jogar Sensible Soccer.

Sugestões e dicas de vida completamente imparciais:

Para rir: Novo solo de stand-up comedy do Dário Guerreiro.

Para ouvir: Sem Barbas na Língua com o convidado Diogo Batáguas.

Para ver: Documentário The Great Hack

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