O cinema já tinha ousado a dramatização do confronto com a ameaça maciça de um vírus à solta, em filmes em que é encenada a mobilização de vastos e sofisticados meios militares para operações de combate em larga escala à infeção. Agora, já não é ficção, com o combate ao desafio colocado pelo coronavírus 2019-nCoV a passar não apenas pela cooperação global de redes de virologistas, epidemiologistas e outros peritos sanitários, mas também por uma impressionante mobilização de natureza militar na China.

A liderança chinesa pôs a tropa na rua para garantir o colossal cordão sanitário alargado e reforçado a envolver extensas zonas urbanas onde terão ocorrido contágios. Isto implica que populações em número maior do que as de Portugal e Espanha juntas estejam essencialmente bloqueadas em casa, para tentar evitar a propagação do vírus. O governo de Pequim está a impor a milhões de pessoas, como medida preventiva sem precedentes, um período de quarentena com duração ainda incerta, embora não deva exceder as duas semanas.

O nível de emergência assumido pelas autoridades chinesas é tal que centenas de milhões de chineses ficaram este ano privados da maior celebração festiva anual, a entrada no novo ano lunar. É incontável o número de pessoas obrigadas a alterar os planos de viagem na mudança de ano na China. Toda esta perturbação acontece quando os chineses protagonizam o maior “boom” na história do turismo internacional – o que contribui para não sabermos quantos possíveis portadores do coronavírus andarão por aí pelo mundo.

Embora neste começo da última semana de janeiro haja confirmação de até agora 2.700 pessoas infetadas, números que têm estado em crescimento diário, peritos em saúde pública admitem que venham a ser identificados uns 100.000 casos.

Perante uma crise grave de saúde pública é necessária boa informação, comunicada com clareza. As autoridades chinesas, desde o meio de janeiro, estão a revelar grande empenho na informação transparente, ao contrário do que aconteceu na grande crise de SARS (síndrome agudo respiratório severo, também causado por coronavírus), que em 2002 e 2003 teve gestão opaca, atingindo mais de 8000 pessoas e causando mais de 800 mortes.

A lição dos erros de então parece agora aprendida. Agora, há uma conferência de imprensa diária das autoridades de saúde na China, com atualização constante dos dados e explicação das medidas sobre a evolução desta crise. A informação de que uma pessoa sem sintomas pode ser fonte de contágio mostra que não estão a esconder o que é devido sabermos.

A escala sem precedentes das restrições de movimentos agora impostas desencadeia o problema de suscitar ansiedade que pode levar ao pânico.

A Organização Mundial de Saúde tem estado dividida sobre alargar para fora da China o estado de emergência com o coronavírus. Há que não alarmar quando não há motivo para o fazer.

Os cientistas ainda procuram informação fundamental sobre este coronavírus 2019-nCoV. Ainda está por determinar com rigor qual é a fonte inicial do contágio. Sabem que a origem é um animal, há probabilidade de estar em serpentes que são petisco na China, mas faltam certezas. Também estão ainda em fase de estudo, que envolve laboratórios e investigadores de diferentes países, as mutações que o vírus pode tomar e como prevenir e combater todos os riscos.

As escolas, fábricas, mercados, lojas, restaurantes cinemas e parques desportivos que servem dezenas de milhões de pessoas na China, tudo está parado. Tudo está a ser tentado para conter o contágio e evitar a pandemia.

Quanto tempo falta para a Ciência dominar este coronavírus é a principal incógnita neste momento. A mobilização geral de recursos para o combate a esta crise conforta que não dispare o alarme fora da China. É essencial que não se entre em especulações e informação contraditória com danças de notícias com contranotícias. Sabendo que os números vão ainda piorar, é previsível e está previsto.

Esta emergência que está a ser tratada remete-nos para outra há tantas décadas descurada: quantas pessoas morrem em cada ano em países mais pobres com grande sofrimento pela malária? São muitas mais, incomparavelmente menos cuidadas, e continuam a morrer sem que este grave problema de saúde pública seja notícia.

A TER EM CONTA:

Os nazis não conseguiram atirar para o forno crematório todos os homens, mulheres e crianças que mandaram para o campo de extermínio de Auschwitz. As tropas de libertação dos presos chegaram primeiro, faz neste 27 de janeiro 75 anos. É devido ouvirmos o testemunho dos últimos sobreviventes que ainda nos podem ensinar o que foi aquele genocídio

Trump apresenta nesta terça-feira o que chama de plano de paz para o Médio Oriente. Presume-se que tenha foco em Israel e na Palestina. Chamou os dois rivais em campanha pela chefia do governo de Israel para o anúncio. Netanyahu, a contar com ajuda eleitoral, antevê um anúncio “histórico”. Não há notícia de convite sequer ao líder da autoridade palestiniana. Alguém acredita que seja um plano que leve paz à Palestina?

Kobe Bryant, para além de gigante do basquetebol era uma brilhante estrela desportiva. Quando a morte ocorre em circunstâncias dramáticas, quando ainda era jovem, torna-se figura para a lenda, de geração em geração.

Billie Ellish, a anti-heroína que é rosto e voz da Geração Z.

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