Andamos aqui todos meio perdidos sem perceber o que é estarmos vivos e para que é que isto serve. E com mais ou menos consciência disso, percebemos que aquilo que mais nos segura nesta bubadeira existencial é precisamente o encosto dos outros. Encostamo-nos à família e aos amigos, e eles a nós, e “cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas”. E depois temos os nossos ídolos que também nos amparam de certa maneira. Temos os que conhecemos, que até podem ser os nossos pais, avós, irmão, amigos, ou a porteira do Lux, e assim nos amparam duplamente. E temos aquelas pessoas que são exemplos, referências, motivações, como para mim era o Bourdain.

O Bourdain era um exercício vivo de liberdade. E era isso que mais me fascinava nele. O homem respirava e transpirava liberdade como muitos poucos o fazem.

Claro que toda a vida que nós idealizávamos que ele levava era alvo da minha boa inveja e admiração. Comungo com ele a enorme paixão pelos prazeres da vida. Viajar, comer, beber, foder, conversar, conhecer, descobrir, rir, fazer rir, aprender e assim sucessivamente até. Até. Até o corpo ceder ou o peso da liberdade esmagar. Se no caso dele foi a segunda, espero que no meu seja a primeira.

E confesso-vos que nunca me tinha acontecido. Nenhuma morte de qualquer celebridade, por mais que a admirasse e reconhecesse talento, tinha mexido assim comigo, deixado realmente triste. Mas também não me revia em nenhuma como no Bourdain, não me revia na liberdade de ninguém como me revia na dele. Lá está, nós arranjamos estes pilares de vida para nos encostarmos e quando eles caem nós abanamos como uma bandeira ao vento.

Abanei, como de certo abanou muita gente, mas além de todos os outros encostos que felizmente tenho, agarro-me à ideia que ele representava. Agarro-me ao baluarte da liberdade que eu mais admirava e que, enquanto ideia, não pode ser destruída nunca.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Anthony Bourdain: Esta semana deixo só uma única sugestão. Vejam e leiam tudo o que for trabalho do Bourdain. Apreciem.

Linhas de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal

Caso tenha pensamentos suicidas ou conheça alguém que revela sinais de alarme, fale com o médico assistente. Se sentir que os impulsos estão fora de controlo, ligue 112.

Outros contactos:

SOS Voz Amiga
Lisboa (diariamente, das 16 às 24h)
21 354 45 45
91 280 26 69
96 352 46 60

(linha verde gratuita entre as 21h e as 24h)
800 209 899

SOS Estudante
808 200 204
96 955 45 45

SOS Telefone Amigo
Coimbra (diariamente, das 17h às 01h)
239 72 10 10

Escutar - Voz de Apoio
Porto
22 550 60 70

Telefone da Amizade
Porto (das 16h às 23h)
22 832 35 35

Departamento de Psiquiatria de Braga
253 676 055

Brochura do INEM
Ler aqui.

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