Poucos dias antes, tinha lido uma notícia que dizia que a Área Metropolitana de Lisboa denunciara a degradação dos transportes públicos na capital, admitindo que a oferta global teria descido, nos últimos cinco anos, 25 a 30%. Demétrio Alves, da dita AML, falava de políticas desastrosas "que levaram o sistema de transportes a ter um nível de qualidade muito baixo e inaceitável". Como exemplo, revelava que o Metro de Lisboa perdeu mais de 300 trabalhadores nos últimos anos. Dois ou três dias depois, soube-se que a Fertagus cancelou mais 5 ligações entre as duas margens do Tejo (todas nas chamadas horas de ponta) por falta de trabalhadores para as cumprirem…

Como se de uma bomba-relógio se tratasse, tudo parece "combinado" para que o caos se instale na capital, e para que os mais bonitos sonhos do presidente Fernando Medina se transformem no pesadelo dos lisboetas. Na verdade, o estaleiro em que a cidade se transformou, e que em muitos casos merece aplausos, elogios, reconhecimento, está assente sobre pressupostos que podem ter pés de barro - ou, pior ainda, nem sequer terem pés.

Não adianta embelezar a cidade, resolver pequenos quistos que a deformam (o Cais do Sodré é um bom exemplo…), forçar os cidadãos a deixar o carro em casa e utilizarem transportes públicos, incentivar o uso da bicicleta ou mesmo a caminhada a pé - e depois não ter resposta adequada às condições já criadas.

Leio no Facebook de Teresa Leandro: "Há mais de um mês que diariamente, às horas a que viajo de metro, que são as de ponta, há "perturbações" numa linha qualquer. Todos os dias. Ontem calhou-me a mim, com a amarela. Uso a linha verde da estação de Alvalade até ao Campo Grande, onde tomo a amarela até ao Marquês de Pombal. Em condições normais, 20 a 25 minutos costumavam chegar para fazer todo o percurso, mesmo com mudança de linha. Não no último mês e meio. Resignei-me a começar a sair de casa mais cedo, já a prever a forte probabilidade de atrasos".

É neste quadro que a "rentrée" se faz na cidade de Lisboa. É certo que temos dezenas de eventos culturais e desportivos, vivemos na cidade mais animada do planeta. Mas, ao mesmo tempo, sofremos os problemas de sempre, as deficiências de sempre, as impossibilidades de sempre.

Agora, com esses "complementos" inesperados: em vez de ruas, estaleiros. Em vez de alcatrão, pó. Em vez de horas de ponta, horas perdidas todo o dia. Quando começar a chover a sério, o caos passará a Inferno. Espero que a impaciência não dê lugar à violência - e a cidade não se torne palco de batalha campal…

15 anos depois, três links sobre o dia negro de 11 de Setembro…

São quatro minutos arrepiantes, produzidos pela revista Time, que contam a história de uma das fotografias mais marcantes do 11 de Setembro de há 15 anos, em Nova Iorque. "The Falling Man" é, simbolicamente, o que todos sentimos naquele dia: estávamos entre a vida e a morte.

O ainda vivo "Usa Today" - epifenómeno da imprensa dos anos 80 de que deixámos de ouvir falar há tanto tempo… - recupera na sua edição digital dez questões esquecidas, ou pouco debatidas e investigadas, sobre aquele dia negro de 2001…

Algo me diz que vamos ter saudades de Barack Obama. Talvez por isso, não resisto a deixar aqui o link para que possam ver/ouvir o extraordinário discurso com que assinalou o 15º ano sobre os atentados de Nova Iorque.

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