78 funis de bronze, do artista Pavlo Makov (ucraniano, nascido na Rússia), fugiram da Ucrânia no carro da amiga e curadora de arte Maria Lanko. O objetivo é garantir que a peça Fountain of Exhaustion chega à Bienal de Veneza. Os artistas russos recusam-se a participar. Muitos russos a residir fora da Rússia pronunciam-se contra Putin. Todos nós o fazemos. Na Rússia quem o faz corre enorme risco: pode ser preso, pode ser morto, tudo é possível. Apesar disso, as pessoas manifestam-se contra a invasão da Ucrânia. Ninguém quer a guerra. Ninguém? Bom, talvez seja ingénuo dizer que ninguém a quer, porque a verdade é que existem mais pessoas do calibre do Putin e uma delas é Donald Trump. Recandidatar-se-á à presidência dos Estados Unidos da América em 2024. Também anunciou alto e bom som, na plataforma que criou – foi corrido das redes habituais –, que se fosse presidente actualmente tudo seria diferente. Imagino duas criaturas, que rebolam no seu ego e vaidade, em direcção a um botão vermelho que diz “nuclear”. 

Na verdade, tenho andado a matutar na mesma palavra desde o início de tudo isto. Putin será capaz de ser o primeiro? Acredito que sim. Todos os outros, na Europa e nos EUA, talvez até na China, pensam o mesmo que pensavam sobre Hitler: ele não se atreve. E se se atreve, o que faremos? Responderemos na mesma moeda, parece-me evidente que será assim. E começará o fim de uma civilização, de um tempo em que a informação alargada, a comunicação constante, nos levaram a ter preto no branco, bem evidentes, as consequências de uma guerra nuclear. Sabemos como será, não há ilusões.

O mundo mudou muito desde a Segunda Guerra Mundial, a História não se repete, contudo as pessoas, quando más e egocêntricas, convictas da sua superioridade, nunca deixarão de existir. No caso de Putin, que pretende retomar o império, seria ideal entender qual será o seu limite. Terá limite? Se não o tiver, e bombardear Kiev com uma bomba atómica, não podemos dizer que não pensámos nisto, que ignorávamos essa possibilidade. Isto leva-me a outra questão, admito que igualmente ingénua: se sabemos que as armas nucleares nos arrasarão, por que carga de água é que as queremos? Já sei, a soberania, a defesa, os inimigos. Para que serve tudo isso se a vida termina com o nuclear? Quando uma criança nos pergunta isto e tem dez anos, pensamos que é uma criança, está tudo certo. Contudo, na situação em que nos encontramos, a pergunta é de todos. Ou deveria ser. Se isto é o fim do futuro, sinceramente, somos uma espécie que merece o que nos vai acontecendo; porque, bem vistas as coisas, estamos nas mãos de um ditador, mesmo que ele não seja nosso. Com o nuclear à distância de uma ordem, o nosso futuro não é nosso. Nunca será. 

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