Pelos vistos, não está. E o anormal número de casos que se estão a registar no nosso país, com a primeira vítima a despertar, lamentavelmente, o pior juiz que há dentro de nós, veio reabrir o debate sobre a vacinação e a sua potencial obrigatoriedade. Há um movimento crescente de cidadãos que, por razões diversas – filosóficas, políticas, éticas, ou apenas vitimado pelo vírus da “teoria da conspiração” -, acha que pode não vacinar os seus filhos. Essas pessoas alegam, evidentemente, a liberdade individual sobre o corpo, e sobre o corpo dos filhos, e alimentam as mais diversas teses sobre a industria farmacêutica e a sua sede de lucro. Chegam a perguntar, como vi numa rede social, quanto ganham dessas empresas aqueles que, como eu, defendem a vacinação... Um alucinado adepto de futebol não faria melhor em relação aos árbitros. Dado que é recomendada mas não é obrigatória, nada acontece a estas pessoas – mesmo que, por falta de vacina, os seus filhos contraiam sarampo e contagiem o vizinho do lado.

Gritam esses anti-vacinas: “Se o vizinho estiver vacinado, não tem de temer o meu filho!”. Errado. Ainda que a cobertura da vacinação seja superior aos 95%, o que faz com que se considere o país “imune”, há pessoas que, mesmo vacinadas, podem apanhar sarampo. Ou seja: o que parecia ser uma decisão individual cujas consequências não saíam de casa do inconsciente de serviço, mexe afinal com a vida do vizinho. Deixa, portanto, de ser um problema pessoal, para ganhar domínio colectivo. E é aqui que estamos.

Aceitam-se obrigatoriedades como o cinto de segurança, a proibição do fumo nos espaços públicos; obrigam-se os proprietários de veículos a inspeccioná-los de tempos a tempos; os condutores são observados por médicos, a partir dos 50 anos, para poderem guiar; os restaurantes são vigiados pela ASAE e os produtos têm prazos de validade. Aceitamos leis e mais leis, obrigações e mais obrigações – muitas delas pouco ou nada sustentáveis, algumas transformadas em taxas e impostos (já repararam que pagamos um imposto para circular e outro para termos os veículos estacionados? E somos obrigados...). Mas depois debate-se uma questão grave de saúde publica e “ai, Jesus”, a liberdade individual está acima do mais elementar bom senso. Dois pesos, duas medidas, para situações em que a nossa atitude pode prejudicar a vida do vizinho do lado ou do incauto com quem nos cruzamos.

Leio na revista “Visão” que, nos anos 90, um estudo de um tal Andrew Wakefield tentou demonstrar a relação entre autismo e as vacinas contra o sarampo, a papeira e a rubéola. Já se provou que era falso, uma fraude, uma invenção. Mas como não há vacina contra a ignorância, continuamos dependentes do supremo “achismo” de quem resiste a vacinar os filhos. Até ao dia.

Confesso a minha perplexidade, ou talvez apenas ingenuidade: não julgava possível que em pleno século XXI estivéssemos a debater os prós e os contras de um medicamento que salvou milhões de vidas no século XX. Não me passaria pela cabeça ler a notícia de uma morte – e não ando à procura de culpados, apenas reconheço o choque e sinto a incredulidade. Não me ocorreria sequer a dúvida sobre esta matéria.

Mas agora percebo por que se reabre o debate. É que falta mesmo uma última vacina. E não é contra o sarampo.

AINDA A SAÚDE...

Chegou o “Impossible Burguer” – o hambúrguer que não leva carne, é sustentável, e não deixa pegadas no mau ambiente do planeta. Já chegou à Europa e, diz quem provou, sabe a carne. Embora seja todo vegetal...

Boas notícias que chegam do mundo da revista “Science”: a mais recente inovação para determinar em 30 segundos qual é o seu tipo de sangue. Em vídeo, a notícia não podia ser mais clara.

Com os primeiros dias de calor, recomeça a praga anual que nos “melga” até ao Outono: o mosquito! Nada como conhecer melhor o “inimigo”. Aceitemos o convite da “Nature”, e voemos com eles...

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