Percebo que o jornalista desconsidere o político, tenho experiência suficiente para saber que não somos imparciais. Podemos tentar, mas não o somos. Mas a verdade é que não fazemos certas perguntas. Era simples de refazer? Era muito simples: tem amigos de outras etnias? E pronto, era isto. Bastava isto. E, decerto, será possível uma reformulação para a pergunta que envolve casamento e etnia cigana.

Ao mesmo tempo, entre a opinião de Miguel Sousa Tavares sobre o assunto A ou B e a de André Ventura, terá o telespectador percebido alguma coisa? Não sei dizer.

O discurso é populista e funciona junto de muita gente, isso revelam as sondagens e revela o facto de termos este senhor eleito como deputado. As opiniões de Miguel Sousa Tavares, legítimas enquanto cronista, não vejo como não, serão legítimas numa entrevista enquanto jornalista? Não creio. É uma opinião pessoal. Deveria ter entalado o Ventura, para usar a gíria destas coisas? Deveria, não o fez.

Não houve nada a que o deputado não respondesse, não houve atrapalhação, não se deixou desmascarar. É preciso ter dedos para tocar viola. Ou para entrevistar certas personagens. Dito isto, a democracia exige que tenhamos respeito. E eu tenho. Pelo Miguel Sousa Tavares. Por um fascista nunca terei.

Não basta ser-se inteligente ou ter a presunção de se ser mais inteligente do que a criatura à nossa frente. Não foi um bom momento para a democracia, para o jornalismo, para o público, para o esclarecimento. Temos pena, não foi.

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