Surpreendia-me, mais do que a rapidez na resposta aos críticos, o volume de informação que tinha sobre os “adversários”. Conseguia encontrar contradições entre textos com anos de distância, parecia ter uma memória brutal, e certamente tinha quem o ajudasse na ciclópica tarefa de responder a tanta gente que cascava no Governo. Podia dizer-se tudo sobre Miguel Abrantes - menos que não era dedicado, empenhado, e altamente competente a desfazer aqueles que se metiam com o Governo da altura. 

Quis entrevistá-lo na rádio, para desfazer o mito e perceber a figura. O facto de usar um pseudónimo era respeitável, e eu não tinha qualquer interesse em explorar esse facto, tanto mais que só tinha de “dar” a voz - queria antes entender o que o movia, e até que ponto era um porta-voz encapotado de José Sócrates na blogosfera.

Trocámos alguns e-mails, recusou o convite, mas o essencial do que me disse reduz-se a estas linhas:

“Se a minha presença no programa desfizesse o boato (de que era um braço “armado” de Sócrates), talvez se justificasse a ida a Lisboa. Acontece que logo eu seria encarado como o "porta-voz" do "grupo de assessores”. Um dia, se quiser, dou-lhe a minha opinião de como deveria ser feito um blogue de assessores. É estranho que um "blogue de assessores" não escreva uma linha a defender ministros como o da Saúde, a da Educação, a da Cultura e por aí fora, que estiveram sob fogo”.

Miguel Abrantes, o homem que não era assessor mas afinal recebia mais de 3500 euros por mês para escrever o blog, levava a sério a função ao ponto de se justificar desta forma - ou de me dizer, noutro e-mail, “algo me diz que deveria aceitar o convite, para de uma vez por todas acabar com as histórias de que sou um fantasma. Não sou”.

Mais do que um fantasma, Miguel Abrantes foi uma sombra e arma de arremesso a coberto de um pseudónimo, e um realíssimo aldrabão para pessoas de boa-fé, como foi o meu caso. Fácil, eficaz, e mais barato do que um contrato com uma agência de comunicação: usar as mesmas armas, mas sem dar a cara. Isto diz muito sobre a forma como José Sócrates encarou o poder, os media, e a opinião publica.

Infelizmente, não esteve sozinho - e quando se questionou a existência de tal blogger, uma jornalista militante da ética, da verdade e da deontologia, chegou-se à frente. Chama-se Fernanda Câncio e, no blog Jugular, no dia 22 de Fevereiro de 2008 - e posteriormente editado a 7 de Novembro de 2008, foi peremptória: “Eu, como a maioria das pessoas que escreveu no blogue “sim no referendo”, conheço o miguel abrantes. vi-o, jantei com ele, sei onde trabalha. e sei que não é assessor do governo. Mas, sendo as coisas e as acusações o que são, este meu affidavit não deve servir de muito ao miguel abrantes (nem a mim, for that matter). Paciência -- é a verdade”.

Oito anos depois, começamos a perceber a noção de verdade que cercava Sócrates, o seu núcleo duro e alguns jornalistas ditos “de referência”. Não surpreende. Pior é quando alguém se lembra de ligar a ventoinha da memória mesmo em frente da lama…

Listas e mais listas…

Sempre gostei de listas. Seja de ricos ou de supermercado, de discos ou de países. Neste site, quem for como eu pode perder-se pelo infindável número de listas que se possa imaginar…

Lembrei-me de sugerir listas porque esta semana a revista Time, que já publica regularmente tabelas com os mais influentes ou os mais poderosos, avança para a invejável lista dos teenagers mais influentes de 2016. Deliciem-se e… surpreendam-se!

É verdade que a montanha terá parido um rato - mas o consórcio de jornalistas que trouxe para as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo os “Panama Papers”, não parou de trabalhar. No site oficial do ICIJ, listas não faltam…

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