Ora, o estado a que chegámos, recuperando a frase do capitão de 29 anos, é que o dia – celebrações do 25 de Abril - está apoderado, de há muito a esta parte, como se uma coutada se tratasse, por uns que se dizem defensores da liberdade, mas com tiques de donos.

Celebrar Abril tem sido um feudo reservado a quem, por vezes, olha mais para o calendário para diabolizar o passado, cuspir nostalgia do que poderia ter nascido a partir daí e pouco, muito pouco, para o que essa madrugada realmente trouxe. Ou poderia já poderia ter trazido, mas que infelizmente ainda não conseguiu.

Desde 1977 que a incumbência organizativa foi entregue a uma designada Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril, cuja composição tem variado ao longo dos anos.

Em 2021, ano de pandemia, após a pausa do ano anterior, juntou 42 organizações.

Cito alguns. Vejo partidos políticos à esquerda (PS, PCP, Bloco, Verdes e Livre) com e sem representação parlamentar, juventudes partidárias de esquerda (JS, JCP e do Bloco) organizações sindicais de esquerda (CGTP e UGT) e várias associações mais ou menos representativas como Associação de Exilados Políticos Portugueses, Associação Projeto Ruído, Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e Pela Paz no Médio Oriente ou Consciência Negra.

Foram esses, os que ab initio, os "eleitos" para desfilar no corso carnavalesco supervisionado pela DGS. Só eles cabiam nas costas largas da desculpa da pandemia e só a estes foi concedido uma liberdade de culto. A Iniciativa Liberal, partido com representação parlamentar e Volt Portugal, foram, inicialmente, impedidos de participar nesta festa privada com inscrição à porta “reservado o direito de admissão”.

Tal como na Superliga europeia de futebol, o direito a celebrar seria, como tem sido, só para alguns. Repito, só “eles”, aqueles, que se apropriaram deste acontecimento da história contemporânea de Portugal poderiam entrar no corredor que seguiria avenida da Liberdade abaixo, de cravos na lapela e na mão, gritando “Grândola, Vila morena” e “Fascismo nunca mais”.

E que é do povo, um direito que deve assistir a todos os que abraçam a ideologia da democracia, é roubado, apropriado por uma elite que se diz defensora dos direitos desse mesmo povo e da democracia, que muitos não profetizam. Um “grupinho” que mais parece encontrar nos atos e nos gestos deste dia a justificação da sua própria existência.

Tal como a liga dos ricos no futebol, o projeto sectário abortou. E provocou sacudidelas do capote e manifestações públicas de anteriores votos contra, como foi o caso da Associação 25 de Abril (A25A), pela voz de Vasco Lourenço.

Debaixo de uma pressão, mais ou menos, pública, estenderam a passadeira vermelha à IL, que por sua vez, preferiu seguir o seu próprio caminho e abriram a todos os “interessados”, na condição que avisem, por email - secretaria@a25abril.pt .

Engraçado. É graças ao 25 de Abril que nos podemos manifestar sem pedir licença.

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