A menos de três meses das eleições e ainda sem contar com o efeito Kamala, todas as sondagens apontam, em modo contínuo, Biden na frente, esta semana com 10 pontos percentuais de avanço (51/41), no estudo da Monmouth University, e 13 pontos de vantagem na pesquisa da Georgetown University.

As sondagens também mostram que estados que há quatro anos foram decisivos para a eleição de Trump, agora voltam-se para Biden, caso, por exemplo, da Pensilvânia (Biden com 9 pontos de vantagem), Michigan (+11), Wisconsin (+6) ou Ohio e Carolina do Norte (ambos com +4 para Biden). Trump consegue 19 pontos percentuais de avanço no Utah, mas Biden aparece com 39 pontos de vantagem (67/28), no maior dos estados, a California.

Kamala, com 55 anos, atrai o voto das grandes cinturas urbanas que franzem o rosto perante o que lhes aparece como um profissional da política, Biden, 77 anos, que vive entre as elites. A mestiça Kamala toca nesse povo comum.

Ela é filha de emigrantes. O pai, Donald Harris, negro da Jamaica, é professor de economia em Stanford; a mãe, indiana, foi para os EUA nos anos 60 e fez percurso como investigadora académica. Kamala escolheu percurso pelo Direito, foi eleita procuradora, primeiro de San Francisco, depois do estado da California. Como procuradora promoveu a defesa dos direitos civis, mas também uma política penal tão severa e implacável que foi criticada por alas esquerdistas. A biografia política de Kamala contraria em absoluto a narrativa da campanha Trump que está a pretender situá-la na esquerda radical.

Viu-se nos debates para apuramento da candidatura democrata que Kamala é uma pragmática, combativa, até agressiva, ideologicamente moderada. Tem grande foco na saúde para todos, tal como em toda a linha política de Obama.

A história política de Kamala coloca-a a personificar os ideais da luta anti-racista. Costuma, desde o tempo de estudante, participar nas marchas pela igualdade, tanto a racial como a de género. Kamala  representa o essencial do combate Black Lives Matter.

Biden escolheu Kamala com duplo alvo: primeiro, ampliar e reforçar a base eleitoral, depois, se eleitos para a presidência dos EUA, formarem uma dupla forte para transformar a política no tempo crítico pós-Trump, com os terríveis efeitos sanitários, económicos e sociais da pandemia.

A escolha de Kamala por Biden corresponde à ambição de unir o Partido Democrata e de conquistar a América sensata. Pode assim conquistar votos republicanos que não se revêem nas derivas de Trump e, ao mesmo tempo, evitar a abstenção de várias franjas mais à esquerda. Pode motivar o eleitorado jovem e progressista que não via em Biden o representante das suas ambições.

Ao optar por Kamala, Biden, faz uma escolha cheia de consequências: abre uma ponte em direção às novas gerações, às mulheres e às diferentes expressões étnicas; mas também lança esta americana filha de emigrantes da Índia e das Caraíbas, com um avô paterno diplomata africano,  para a condução do futuro do Partido Democrata e até mesmo para  presidência dos Estados Unidos da América. Biden, se for eleito, terá 78 anos no dia da tomada de posse. Parece excluído que daqui a quatro anos se recandidate. O caminho está aberto para a combativa Kamala.

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