Neste primeiro mês levámos aos nossos leitores temas que interessam aos mais novos e aos mais velhos, a  mais sérios e a mais descontraídos, a portugueses que estão em Portugal e a portugueses que se encontram espalhados pelo mundo. Fizemos um grande fórum sobre a praxe, no mês em que tantos jovens iniciam a sua vida universitária. Trouxemos ao SAPO24 novos humoristas, como o Jovem Conservador de Direita, e nomes consagrados como o do mágico Luís de Matos. Fomos conhecer as memórias de Miguel Caetano, filho de Marcello Caetano, e lançámos dois grandes dossiers, o das eleições americanas  e o do Orçamento de Estado para 2017. Andámos por museus, por fábricas de pão, por clubes de futebol e abrimos as portas a um conjunto de colaboradores com visões e interesses diferenciados – Francisco Sena Santos, Samuel Úria, Pedro Rolo Duarte, José Couto Nogueira, Pedro Fonseca, Helena Oliveira, Márcio Candoso, Isabel Tavares, Pedro Carreira, Paulo André Cecílio -  é essa diversidade que queremos levar até si.

É redundante, em 2016, dizer que apostamos em formatos multimédia. Dificilmente existirá outra forma de fazer jornalismo hoje em dia, ou pelo menos de fazer bom jornalismo, que não tire partido das várias possibilidades de comunicação que temos. É claro que o vídeo é importante, é óptimo saber que o áudio conhece novas vidas, nomeadamente nos podcasts (que são, desde o arranque, uma rubrica presente no SAPO24), é inevitável e precioso usar dados para mostrar realidades tantas vezes mal explicadas ou pouco percebidas.

Além do site 24.sapo.pt, e do Portal SAPO, onde somos uma das âncoras de informação, estamos presentes no Facebook, no Twitter, no Instagram – o que é mais uma normalidade num tempo em que os media multiplicam, por necessidade e por sensatez, a sua presença nas plataformas de distribuição onde estão as pessoas que os podem ler, ouvir e ver.  Como é também o caso das newsletters ou das notificações informativas.

O que significa que não é por falta de quantidade de contactos que os media não cumprirão o seu papel – SAPO24 incluído. Os media estão mais presentes do que nunca na vida de todos nós, desde que acordamos até enquanto dormimos. É por isso que a principal batalha a travar é a da qualidade e da relevância. Duas palavras que qualquer jornalista ou gestor de media terá na ponta da língua, mas que são vezes demais ignoradas na selva diária da procura do clique fácil ou da opção por um canal de televisão em vez de outros.

Os media têm essa imensa responsabilidade de não esquecerem a diferença entre o interesse público e o interesse do público. Entre o facto e a opinião. Entre o serviço público de informar e a o negócio das audiências.

Ontem, dia em que completámos este primeiro mês desta nova etapa, tivemos o artigo mais visto destes últimos 30 dias. Sobre o último debate entre Donald Trump e Hillary Clinton que, uma vez mais, trouxe até milhões de pessoas no mundo inteiro um espectáculo que quase todos criticam mas a que quase ninguém resiste. Depois de Novembro, se as sondagens mais recentes se confirmarem, Trump sairá da ribalta em que nós, os media, o colocámos. A ribalta que gerou audiências – e que previsivelmente continuará a gerar por mais umas encenações. Podemos não gostar, mas não é exagerado dizer que, de alguma forma, tivemos um papel na construção de uma figura que ninguém imaginaria que um dia fosse um provável futuro presidente do país mais poderoso do mundo.

Ateado o fogo, são muitos os que assistem à labareda, enquanto outros tantos apressaram o passo em direcção ao extintor Hillary. Resultam daí as acusações de jornalismo enviesado que apenas diluem a confiança em quem informa e reforçam a retórica de quem manipula.

São tempos difíceis para ser jornalista, mas esta é uma das épocas mais decisivas para traçar o caminho do jornalismo que será feito no século XXI. Um jornalismo condicionado por grandes forças – a das máquinas (algoritmos, robots, etc) e a das multidões (redes sociais, caixas de comentários, etc). Ambas poderosas mas que em momento algum podem ser intimidatórias. Das máquinas devemos esperar um reforço na capacidade de análise do volume de informação crescente e nunca a substituição dessa coisa extraordinária que é o livre arbítrio de que nós, humanos, somos dotados.

Sobre as multidões – de que todos nós fazemos parte – é mais difícil fazer previsões. Gostaria de acreditar que também aprenderemos a participar no novo espaço público numa forma mais construtiva que a indignação e o insulto fácil, mesmo que na maior parte dos dias isso seja pouco mais que uma utopia fora de moda. A “trumptização” do espaço público no último ano não é auspiciosa. Como dizia Salman Rushdie, na sua recente passagem por Portugal, tornou-se normal ser rude e malcriado – para muitos, a coberto ou não do anonimato, é mesmo um elemento de “carácter”. Quanto mais ácido e corrosivo melhor.

O futuro dos media é responsabilidade dos jornalistas mas é hoje, cada vez mais, responsabilidade de quem se informa. As escolhas que fazemos como leitores, ouvintes e espectadores, a forma como nos comportamos nas novas praças públicas que são os sites e as redes sociais, é tão determinante como as opções de quem selecciona a informação. Não podemos de manhã criticar Donald Trump porque insulta as mulheres e odeia os mexicanos, e à noite estarmos a escrever comentários de raiva  contra uma opinião porque é diferente da nossa ou a lançar suspeitas sobre terceiros só porque publicar é grátis  e muitas vezes sem consequência. Como se costuma dizer  não podemos comer o bolo e ficar com ele no prato.

Seria uma pena que quem tem o dever de informar e quem procura informação perdesse essa oportunidade única de construir em conjunto uma nova idade dos media. E é também por isso que  concluo esta crónica, convidando os leitores do SAPO24 a enviarem-nos sugestões sobre temas que gostariam de ver abordados através da nossa página de Facebook, Twitter ou do email 24@sapo.pt. São muito bem-vindos.

Tenham um bom fim-de-semana.

Outras sugestões de leitura:

Todas as pessoas grandes foram um dia crianças mas poucas se lembram disso. É com a frase de Antoine de Saint-Exupéry que começa a grande reportagem que a SIC emitiu intitulada “As pessoas crescidas nunca percebem nada”. É sobre como crescem hoje as nossas crianças e que tempo lhes sobra para serem crianças. Depois da escola, dos TPC, das actividades e, claro, da internet.

“Não se esqueçam que os livros são importantes porque podem dar com eles na cabeça uns dos outros”. É uma forma de cultivar o amor pelos livros como qualquer outra e quando se trata de Ricardo Araújo Pereira entre crianças e jovens dos 11 aos 18 anos, a conversa promete.  O pretexto foram  os 20 anos da Rede de Bibliotecas Escolares e por causa disso a Vera Moutinho, do Público, mostrou-nos os “crominhos que adoram ler  com destaque para um crominho muito especial, a Raquel Chaves, de 10 anos.

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