Hoje, 12 de dezembro, o Acordo de Paris faz anos e são várias razões para comemorar este terceiro aniversário da sua aprovação, mesmo que de forma contida:

  • O Acordo de Paris entrou em vigor menos de um ano depois de ter sido aprovado, muito mais rapidamente do que os sete anos que levou o Protocolo de Quioto, o que mostra o sentido de urgência;
  • Tal como previsto no Acordo, os cientistas cumpriram e elaboraram um relatório publicado em outubro de 2018 evidenciando os impactos diferentes entre um aumento de temperatura global de 1,5 e de 2 graus Celsius, sendo que neste último cenário as consequências negativas serão muito mais significativas, mas ainda é possível ficarmo-nos pelos 1,5ºC se agirmos rapidamente. Infelizmente na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Katowice, quatro países recusam dar as boas-vindas a este relatório (EUA, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait), o que está a causar mau estar sobre as consequências que esta posição poderá ter sobre os resultados da conferência;
  • Por último, estamos na COP24 na Polónia já a discutir a revisão em baixa das metas de redução de emissões de todos os países, tal como estava previsto para serem formalmente consideradas em 2020. A realidade, no entanto, mostra-nos que, após três anos de estagnação, as emissões voltaram a subir, e portanto, na prática, não estamos a corresponder ao esperado, nomeadamente nas políticas e medidas de curto prazo.

É fundamental que os líderes mundiais aproveitem o tempo que a comunidade científica afirma que temos até 2030 para reduzir 45% das emissões globais de gases com efeito de estufa em relação a 2010, afim de se garantir um aquecimento global que não irá além de 1,5ºC em relação à era pré-industrial. Por outras palavras, se não quisermos depender de soluções duvidosas de captura de carbono, o mundo deverá ser carbono zero em 2044, e por isso a nossa margem de manobra para reduzir a poluição é, no máximo, de 12 anos.

Quanto mais adiarmos as reduções de emissões que serão necessárias, maior será a pressão sobre os recursos naturais do planeta para remover o excesso, e isso conduzirá a múltiplas restrições na sustentabilidade das soluções a implementar.

Comemorar o Acordo de Paris, mais do que a urgência da ação, é perceber que o mundo está efetivamente numa situação de emergência, em linha com o discurso de António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, no primeiro dia da conferência, que haja decisões ambiciosas em relação à redução de emissões de gases com efeito de estufa para evitar ainda mais custos para nós e para o planeta no futuro.


Francisco Ferreira é Presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

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