Os profissionais do conflito, subitamente tornaram-se irrelevantes, pela grandeza do empenho de quem, no setor público como no privado estão a salvar vidas e a alimentar a vida de quem está confinado.

Médicos, enfermeiros, professores, forças de segurança. Mulheres e homens destes ofícios apareciam, nos anos antes do vírus, na primeira linha do conflito permanente. Agora, todos reconhecemos que são elas e eles quem está mais na linha da frente do esforço, sem medir sacrifícios e desafiando o medo dos riscos, para cuidar de todos nós. Sentimos um corpo social dedicado, generoso, solidário e rijo a fortalecer a noção de comunidade de nós todos.

Estamos todos a ser parte de uma experiência antropológica inédita. A reação aos terríveis incêndios de 2017 já tinha mostrado uma amostra deste espírito generoso, embora desde o primeiro momento atravessado por oportunismos e quezílias.

Neste último mês temos todos constatado a riqueza deste capital humano que é uma nossa formidável força.

Como fazer para preservar este capital? É impensável que seja delapidado este capital coletivo que a calamidade nos tem mostrado. É uma força extraordinária que temos para organizarmos o que vem a seguir, no imediato, como superarmos o choque económico que todos sabemos ser rude.

Vamos ter de pensar o que antes negligenciámos: o modo de nos organizarmos para vivermos com as ameaças reais.

Sempre vivemos, ao longo dos séculos, com bactérias, micróbios e vírus. São espécies que, incontornavelmente, acompanham a vida de cada um de nós e fazem parte de nós. O corpo humano aprendeu a lidar com eles e a resistir-lhes.

Será que nas últimas décadas alterámos e degradámos o quadro dessa coabitação? Especulando: será que estamos apanhados pelo uso excessivo de antibióticos, pelos detergentes químicos e pelos pesticidas que nos rodeiam, pela asseptização agressiva do nosso corpo e do nosso ambiente? Será que com estas rotinas estamos a enfraquecer o nosso sistema imunitário? A resposta só pode vir dos cientistas, mas o que já está à vista de todos é que não podemos deixar que alguma austeridade debilite o Serviço Nacional de Saúde e o financiamento da investigação.    

A vacina a descobrir não é apenas a tão desejada para controlar o covid, mas uma vacina contra o modelo de desenvolvimento que domina atualmente o nosso mundo.

VALE VER:

O relato no New York Times, por uma médica, da luta desesperada para acudir a vidas num hospital de Nova Iorque. Como em tantos outros lugares do mundo que, todo, foi apanhado desprevenido.

Um rapaz africano que, emocionado, grita um poema pela liberdade, no meio da multidão que, com os telemóveis, lhe ilumina o rosto, numa manifestação em Khartoum, no Sudão. É a fotografia Straight Voice, captada pelo japonês Yasuyoshi Chiba, vencedora do World Press Photo deste ano. Vale contemplar todas as fotos destacadas nesta edição.

A odisseia do MSC Magnifica, o último cruzeiro nos mares neste tempo do covid. A viagem em volta do mundo começou em Marselha em 6 de janeiro. Chega hoje ao fim.

Uma irresistível visita ao Guggenheim de Bilbau.  Também vale entrar na cidade digital do CCB e mergulhar nesta edição da revista Electra.

Assim vai o Brasil através das capas de jornais e revistas: esta, esta, esta e esta.

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