Porém, em Portugal, o Dia da Rádio ocorreu na segunda-feira passada. Foi o dia em que a administração da RTP, numa atitude inesperada mas absolutamente justa, deu o seu “chega para lá” ao inútil e ignorante Conselho de Opinião e, em face da sua recusa em justificar o chumbo do Provedor do Ouvinte, nomeou novamente o jornalista João Paulo Guerra para esse cargo, agora sem apelo nem agravo. Era o nome que a RTP tinha proposto e que o tal Conselho (formado por 32 figuras, que vão de anónimos desconhecidos a ex-governantes como Pedro Lomba, ou bloggers empenhados como Estrela Serrano), chumbara, sabe-se lá porquê.

Tanto quanto percebi, por pura ignorância. A maioria deste Conselho, que mais parece um albergue espanhol (sem ofensa, claro…), não sabe seguramente quem é João Paulo Guerra - jornalista que marcou a informação no Rádio Clube Português antes da revolução, que passou por programas marcantes como o PBX ou o Tempo Zip, esteve em estações como a TSF, ou jornais como o Diário de Lisboa, O Jornal, Público, não falando nos livros publicados, nos prémios ganhos, nos cursos ministrados. Se há, depois de Adelino Gomes, um nome indiscutível para um lugar como o de Provedor do Ouvinte, é o de João Paulo Guerra. Assim não entendeu a maioria das alminhas daquele Conselho de Opinião (CO), e assim se tentou amachucar e humilhar um homem cujo perfil e carreira constituem exemplo para qualquer profissional da comunicação.

Felizmente, a administração da RTP percebeu que o CO, nem numa rara decisão que tem de tomar se entende - e fez o que tinha a fazer: em face do vazio de uma justificação obrigatória, fez “adjudicação directa” à sua primeira escolha. Foi o nosso pequeno momento “Dia Mundial da Rádio”. Não apenas pela atitude - mas essencialmente pelo simbolismo que encerra. É um acto de justiça em relação a João Paulo Guerra, e um momento de “sim ou sopas” para um órgão que nunca funcionou, que certamente pagamos no Orçamento de Estado, e que tem servido para dar razão aos que defendem o fim do serviço publico, ou que “provam” a sua inutilidade por via destas entorses políticas sempre mais papistas que o papa.

A independência da RTP é essencial à viabilidade estratégica e à sua própria existência - mas este episódio mostra que o poder político, quando quer ser e parecer ao mesmo tempo, não sabe como fazer. E era simples: deixar a RTP em paz, e não ter 32 almas a julgar a carreira de profissionais como João Paulo Guerra. Para começo de conversa, já não era mau…

Noutras latitudes, outros nomes e interesses…

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