As consequências da ação humana no nosso planeta e o seu efeito nas alterações climáticas são evidentes, bem como a relação destas com os direitos humanos. Estas consequências e efeitos podem já sentir-se no quotidiano de todos os habitantes do planeta, deixando poucas dúvidas de que a humanidade não está a cuidar da sua casa comum com respeito e sustentabilidade face às necessidades de hoje e do amanhã.

No entanto, os temas relacionados com alterações climáticas e com a importância da sustentabilidade ambiental não são novos. Desde há várias décadas que ouvimos falar nos problemas do “efeito estufa”, do “aquecimento global” e da responsabilidade que todas as pessoas têm em adotar comportamentos ambientalmente responsáveis, tais como a reciclagem e a importância de reduzir a utilização dos transportes individuais motorizados.

Estes temas têm-nos acompanhado, com várias campanhas públicas de consciencialização que apelam a mudanças estruturais e comportamentais. E fomo-nos habituando a que nestas campanhas nos peçam “simples gestos” diários.
Na verdade, estes comportamentos individuais são de suma importância e a responsabilidade é de todos e todas nós, desde a forma como é feita a gestão de resíduos em nossa casa, até às decisões que fazemos no supermercado ou na forma como nos deslocamos. Mas a responsabilidade é também das empresas, nas matérias que utilizam, nos produtos que criam e na forma como fazem a sua distribuição. E é também dos governos, pelas políticas públicas que podem implementar, em várias frentes nesta matéria.

Talvez pela prevalência do tema, talvez pela sua intangibilidade imediata, tendemos a perceber os efeitos nefastos da ação antropogénica no planeta como algo distante e pouco concreto. E talvez seja essa a razão pela qual os passos dados para reverter a situação de degradação ambiental não têm sido suficientes.

Não temos feito o suficiente, enquanto humanidade, e está a chegar o ponto de “não retorno”, a partir do qual será impossível mitigar as consequências da atuação humana sobre o planeta, ambiente e ecossistemas. Aquilo que sempre ouvimos como sendo um problema é agora mais do que isso: é uma crise climática, tal como já tem sido apelidado por órgãos de comunicação social e ativistas ambientais.

Chegámos por isso a um ponto crítico, daqueles em que é necessária uma mudança radical de estratégia. A mudança comportamental individual é fundamental, mas já não chega.

A responsabilidade das pessoas, das empresas e dos governos passa a ser mais do que partilhada, passa a ser dependente, uma vez que a sociedade civil tem agora a responsabilidade acrescida de chamar empresas e governos à responsabilidade, pela mobilização social, seja nas ruas ou por muitas outras formas de ativismo ambiental disponibilizadas por várias organizações da sociedade civil, entre as quais a Amnistia Internacional.

É preciso agirmos para que os governos se responsabilizem, pois têm o poder – e por isso a obrigação - de ir além da “boa-vontade”: é preciso que adotem medidas muito concretas e que a elas se vinculem com um compromisso profundo em todas as políticas e regulações que promovam a curto prazo. São precisas políticas públicas que reduzam as emissões de gases com efeito estufa, promovam a educação ambiental e de direitos humanos, e protejam ativistas e defensores dos direitos humanos e ambientais.

É também precisa mobilização para mostrar que queremos modelos transacionais alternativos, em que as empresas reconheçam e consciencializem o seu preponderante papel na sustentabilidade do nosso planeta. As empresas têm que se responsabilizar por diminuir a pegada ecológica de toda a sua cadeia de negócio, desde os componentes existentes nos seus produtos e a forma como são fabricados, até às embalagens e ao modo de transporte.

Esta é a casa de todos nós e agora é o momento em que dizemos aos governos e empresas que fazemos a nossa parte - com comportamentos individuais ecologicamente responsáveis –, mas que é preciso que também façam a sua!

E que manteremos a nossa irreverência até que vejamos o futuro em que acreditamos e que queremos (para amanhã e para as gerações vindouras): um futuro onde as pessoas e o planeta, os direitos humanos e os direitos ambientais, são postos em primeiro lugar e no centro do pensamento e das ações dos governos e das empresas.

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