Apesar de ser sobejamente sabido que é de Kelly Clarkson, há uns quantos que insistem em atribuir a expressão a Friedrich Nitetzsche. E vivemos actualmente em tal distopia que muitos de vocês até acreditaram na minha última frase.

O mundo nunca mais vai ser o mesmo depois desta pandemia, já todos percebemos isso, e a revolução está em curso, por dois caminhos opostos. Por um lado, a visão optimista. Entre família, vizinhos e até desconhecidos, os gestos de comunhão e solidariedade pululam comoventemente por todo o lado, individualmente ou em grupos organizados. Amigos reinventam formas de jantar juntos e reforçam os laços, às vezes até com quem já não falavam há tanto tempo. Artistas, já conhecidos ou de ocasião, criam e actuam para entretenimento, gáudio e ânimo de todos. Empresas protegem os seus trabalhadores, do vírus e da falta de rendimentos. Outras passam a produzir gel desinfectante e máscaras para oferecer aos hospitais. Outras ainda, assim como figuras públicas, doam ou juntam-se em campanhas de angariação de dinheiro. Clubes de futebol oferecem ventiladores e disponibilizam pavilhões. Políticos de espectros diferentes unem-se pelo bem maior. O bom, e fundamental, jornalismo. Os funcionários dos supermercados, transportes e afins. E claro, os profissionais de saúde, todos eles, dão tudo o que têm e o que não têm por todos nós. Nenhum aplauso será alguma vez do tamanho do seu mérito.

E o outro lado. Pessoas em abstinência de consciência cívica, orgulhosamente ignorantes e/ou egoístas, que desprezam a existência do outro, mais afastado ou mais próximo, que continuam a desvalorizar a pandemia e a contribuir para a disseminar. Pessoas isoladas, novos e velhos. A solidão. O medo. As doenças mentais e a violência doméstica. Empresas que despedem sem apelo nem agravo, algumas até ilegalmente. As fake news. O Estado de Emergência e o controlo de liberdades. O desemprego. A crise económica para (quase) todos. Multimilionários e superfamosos, do alto do seu privilégio, que pouco ou nada doam, que pouco ou nada fazem. Determinados políticos e demais abutres que aumentam o volume da xenofobia e do fascismo. A exaustão física e mental dos profissionais de saúde, e o aplauso que não pode em ser palmas, mas em investimento no SNS.

Se estão à espera que daqui tire uma conclusão, ou adivinhe o que vai acontecer, desenganem-se. Para especialista adivinhador de tudo do país, já nos massacra o José Gomes Ferreira.

Não faço ideia do que virá, de como seremos, de quem seremos. Mas, pelo meio do meu ligeiramente céptico optimismo, diria que cada um de nós pode fazer um bocadinho para que isto vá para o lado bom. Se queremos que o “o que não te mata, torna-te mais forte”, signifique que ficámos todos mais fortes, ou se só sobrevivem os mais fortes.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Capernaum: Um filme tão bonito quanto duro, para nos lembrar do quão injusto é o mundo.

- VICE News: Canal de YouTube que sido assiduamente.

- Eixo do Mal: Bom episódio, o desta semana.

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