Há um cartoon a circular nas redes sociais – um sinal pendurado numa porta indica que por ali entramos em 2021. A metros de distância, semi protegidos por uma parede, um grupo de pessoas aguarda para ver o que será o ano; têm uma corda atada à maçaneta da porta e protegem-se. Não sabemos o que aí vem. Dizem os astrólogos que Mercúrio estará retrógado, não três vezes como é habitual, mas quatro. Sobre o que isso significa, e como nos podemos safar dessa calamidade dos astros, não vos sei dizer. Mas em relação ao próximo ano posso sugerir que entrem sem grandes expectativas, não façam grandes pedidos ao fim do ano (até parece que a madrugada de 31 para 1 de janeiro é uma espécie de oratório, perante o qual pedimos tudo e um par de botas) e vivam um dia de cada vez. Bem sei que não dá jeito, estamos quase que programados para fazer da nossa vidinha uma folha de Excel com coisas para fazer, outras por conquistar. 

Uma das vantagens da idade é esta sabedoria básica de que não vale a pena planear, tudo pode acontecer e tudo acontece sem que tenhamos controlo. Basta pensar na maneira como o vírus tem dado cabo da nossa saúde, paciência e economia. Talvez se formos mais contidos e menos sonhadores, lidando com os momentos baixos de forma inteligente, vivendo os altos como compensação do resto, possamos viver o próximo ano com o melhor que tem para nos oferecer. Dizem que a felicidade são as migalhas da vida. Pode ser que sim. Se for o caso, desejo-vos migalhas de livros, de boa música, de amigos verdadeiros e de saúde. O resto, na verdade, conta pouco. 

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