A pandemia teve um impacto brutal no sistema educativo, acelerando mudanças que, efetivamente, levariam anos a serem concretizadas. De um dia para o outro, literalmente, passámos de um ensino presencial, tradicional, para um modelo videopresencial, à distância, digital, virtual, online, como desejarem identificá-lo, mas completamente diferente. De repente, a necessidade de confinar surpreendeu tudo e todos e a concretização dessa mudança não permitiu reflexão nem planeamento. Vivemos tempos de incerteza, de adaptação permanente, povoada por inúmeras dúvidas. Porém, há algo garantido: o futuro será tecnológico.

As mudanças institucionais exigem novas formas de educação, ensino e formação. Os docentes têm um papel fundamental na transformação digital, mas é necessária a sua formação. Muitos necessitam de integrar-se nos contextos da educação digital, conhecer as ferramentas disponíveis, dominar os processos de formação online, adquirir boas práticas, conhecer os princípios de organização dos ambientes educativos virtuais e aceder a toda a informação que lhes permita transitar, com segurança, confiança e saber, da sala de aula presencial para a sala de aula em contexto digital. Queremos dominar as técnicas de comunicação e interação à distância, porque passámos a assumir o papel de guia no processo de aprendizagem dos estudantes. Não transmitimos conhecimentos. Motivamos, dialogamos, estimulamos e mediamos a interação com e entre estudantes. A motivação para inovar é consequência da formação.

É também diferente o processo de avaliação no ensino à distância e, por isso, é necessário que o mesmo seja perspetivado de uma forma diferente. Agora importa definir critérios de avaliação e divulgar indicadores a utilizar; há que avaliar o desempenho do estudante, valorizando a sua capacidade de argumentar e fundamentar ideias e de estimular a participação dos outros. Avaliar desta forma o conhecimento do estudante pode ter mais valor do que qualquer prova tradicional de conhecimentos.

Promover a competência docente para o mundo digital é proporcionar aos professores e educadores espaços formativos que lhes permitam apropriarem-se e dominarem conhecimentos e procedimentos próprios do saber e do saber fazer em ambiente virtual, para que possam saber ser pertença na transformação digital. Até agora, na surpresa do contexto pandémico e da necessidade de confinar, o que tem acontecido têm sido inúmeros processos de autodidatismo.

Na Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias, no espaço de uma semana, a “transformação digital” foi uma realidade para estudantes e professores. Até quem se revelava mais reticente na utilização das plataformas e das ferramentas digitais deu o “salto” para o desconhecido e cumpriu, em ambiente digital, todos os compromissos do processo de ensino-aprendizagem. Atingiu-se o objetivo, mas não há garantia de o termos feito de forma correta. Apenas sabemos que tudo mudou e que nada será como antes. Por isso, preocupamo-nos, agora, em corrigir as imperfeições. Porque desejamos ser Professores com competências para um mundo digital.

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