Na minha ingenuidade – talvez seja pueril da minha parte – tendo a acreditar que aquela brincadeira proverbial de a virtude estar no meio até faz algum sentido para grande parte disto que nós achamos que é viver em sociedade – embora se devesse antes chamar “tolerar a existência de outros seres humanos”.

Começo a achar que estou completamente enganado.

Se ler crónicas das Capazes, por exemplo, fico a perceber, por alto, que todos os homens do mundo são um agregado mal amanhado de fezes de guaxini, que tudo o que fazem na vida é para diminuir a existência da mulher e que elas vão dominar o mundo e escravizar os homens, fazendo com que estes não passem de reservatórios ambulantes de espermatozóides.

Por outro lado, se ler as crónicas do José Manuel Fernandes ou outros conservadores, percebo que desigualdade de género é um assunto de somenos importância no século XXI, que até é, de certa forma, uma salutar tradição que a mulher seja ligeiramente menos capaz (só ligeiramente, calma), e que tentar lutar pela diminuição dessa perceção de diferença na sociedade é “censura”. Deve ser impressão minha as parecenças (e os perigos?) entre os extremos.

Eu achei que aqueles livros da Porto Editora estão mal conseguidos e têm esterótipos retrógados, nunca me passou pela cabeça que fossem “proibidos” ou que a editora merecesse ter um boicote a todos os seus livros ou ver o seu edifício em chamas. Eu acho que gritar na rua “fazia-te um pijaminha de cuspo, oh boneca!” para uma mulher é bárbaro e grotesco, mas não acho que a má educação e boçalidade nas palavras possa dar prisão ou que um gesto cavalheiresco (deixar passar em primeiro lugar, tirar o chapéu em lugares fechados) diminua seja de que maneira for a mulher.

Eu sempre achei que a igualdade de direitos (não comecem com aquelas birras de homens e mulheres serem biológica e psicologicamente diferentes, claro que são, mas não é disso que se trata) era algo fundamental para uma sociedade melhor, e que não era a ir para o extremo oposto do que está mal que se chega ao equilíbrio do bem, porque a vida não é um balancé num parque infantil. Mas lá está, são tantos e cada vez mais a ir para os extremos sem perceberem que estão a ficar lado a lado, que se calhar sou mesmo eu que sempre achei tudo mal.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Faço anos: Amanhã faço anos. Alta festa com a família e amigos. Não vos posso convidar a todos porque sei que alguns de vocês são uns psicopatas (só 2 ou 3, vá), mas agradeço todos os desejos de um ano, com saúdinha e alegria.

- Festa das Vindimas: Começa já esta quinta-feira a Festa das Vindimas em Palmela. Vinho bom e barato, farturas, concertos e concursos de “bubadeira”.

- Bombeiros: Por todo o país, os bombeiros vão continuar a precisar de muita ajuda. Não deixem a onda de solidariedade passar e continuem a ajudar em força os vários quartéis.

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