Uma mulher quando tem medo não é de ser roubada, é de ser violada. O juiz enviar estas criaturas para casa é desvalorizar o acto, é penalizar ainda mais a vítima. Sim, há uma vítima. O juiz diz que os três arguidos não se podem aproximar e terão de se apresentar, semanalmente, na esquadra. De resto? Por ora, nada. Estas medidas de coação são incompreensíveis. Os três arguidos podem ter acesso a redes sociais? Como assim?
Há ainda a ter em conta uma exposição da suposta virilidade das criaturas através de um filme difundido largamente através das redes sociais. Os homens estão tão em crise que o território do conforto parece ser a agressão. Não vale a pena tentar harmonizar discursos. Foi uma violação e um vangloriar da mesma. A exposição do filme é outro crime.
Existem milhares de homens que seguem figuras tão abjetas quanto Andrew Tate e look alikes. Destilam ódio contra as mulheres. Não lhes reconhecem legitimidade para ter o poder de dizer não. Esta realidade afecta adultos, jovens adultos, adolescentes.
A discussão deveria fazer-se com urgência, porque estamos a normalizar a violência e estamos muito longe de perceber como os mais novos espelham esses exemplos em comportamentos errados e tantas vezes desviantes. Muitos são os pais que andam enganados, acreditando que os seus filhos estão no carril da bondade, desconhecendo quem eles são verdadeiramente, que actos praticam numa sociedade que normalizou o acesso à internet. Entretanto, a violência nas escolas aumenta, os estudos sobre a violência no namoro são um soco no estômago. E, porventura mais assustador do que tudo isso, só mesmo a resposta ineficaz e aviltante da justiça portuguesa. Não há decência. Não há justiça.
Comentários