Numa viagem de avião numa companhia alemã, entre duas cidades europeias, dois espanhóis comentam entre si que, em tempos, Portugal e Espanha foram os maiores impérios do mundo ocidental. Um deles reforça ainda “os portugueses começaram primeiro”. A conversa segue, eu faço a minha melhor cara de quem não percebe espanhol, e eles continuam. “Tiveram um miúdo que quis ser Rei, imagina tu”.  Gostei imenso de ouvir estes espanhóis a contar a sua versão dos factos, de um país que nasceu pequeno e se tornou economicamente grande com os Descobrimentos. O resto da história até à atualidade sabemos nós!

Esta viagem pela história  fez-me pensar no conceito de portugalidade replicado e comunicado em produtos de supermercado ou outros, com a identificação “Made in Portugal” ou “Produto Nacional”. Sem condicionar o mercado de livre circulação, sem muros ou taxas, mais valioso que qualquer boicote ou manifestação, a verdade é que nos nossos consumos mais simples podemos dar um impulso enorme à nossa economia. Se isto é novidade? Claro, que não. Bem sei,  que os nossos produtos não são sempre os mais baratos, ou como se diz na gíria económica, competitivos. Mas e nos casos equivalentes, em todos esses momentos, em que poderíamos optar. Temos o cuidado de nesses momentos, em que a qualidade e preço de “Portugal” é igual ou melhor, optar por Portugal? Quer seja um produto ou serviço, porque são esses pequenos gestos que fazem a diferença, mais do que os “likes” e comentários nas redes sociais.

Os economistas já fizeram todas as contas sobre o impacto que existiria na balança comercial se todos consumíssemos mais “Portugal”. Criaram-se todos os selos, grupos e campanhas... mas fico sempre com a sensação que há ainda uma barreira mental por ultrapassar e que é a distância que vai do “quero fazer” ao “estou a fazer”.

Os estrangeiros ficam apaixonados por Portugal e quando regressam aos seus países contam que foram ao supermercado procurar “aquele vinho” ou “aquele queijo”. E nós? Acreditamos na nossa qualidade, fazemos por isso? O mesmo para as empresas. “Os vossos engenheiros são dos melhores” a “qualidade do vosso serviço é excelente” dizem no estrangeiro, mas, e as empresas portuguesas, resolvem os seus problemas com empresas portuguesas, quando tal é possível?

Sabia que, por exemplo, a Saccor, Giovanni Galli ou Fly London são marcas portuguesas? Recordo sempre o dia em que fiquei a saber que algumas marcas portuguesas, não usam nomes “portugueses”, para facilitar entrada em mercados estrangeiros. Provavelmente também facilita entrada no nosso mercado, somos um povo especial. Especial porque vemos os filmes e séries nos idiomas originais, ao contrário dos alemães, italianos, espanhóis, turcos ou chineses, o que nos dá por um lado uma vantagem enorme no processo de aprendizagem de novos idiomas (e comunicação no turismo), como facilita a entrada de novas palavras no nosso vocabulário, e quem, influencia o nosso gosto por marcas “estrangeiras”.

Depois há ainda os produtos que o consumidor sabe que são feitos com exploração de mão de obra infantil ou escravatura, pela ampla divulgação que existe, mas no momento em que vai às compras ignora. Essa é mais uma oportunidade para transformar os “likes” das redes sociais em atitudes.

Em segundos geram-se hordas de multidões descontentes, com vontade de mudança no mundo digital, mas no mundo real nada acontece. Mais efetivo que eventualmente promessas eleitorais, a compra de bens e serviços portugueses é um investimento na manutenção e criação de postos de trabalho em Portugal, em remunerar melhor e em fixar portugueses em idade adulta em Portugal. Este discurso não é à Direita ou à Esquerda, apenas de vontade de reforçar o orgulho que tenho em ser português. Sem muros, nem taxas, apenas com a atitude de sempre que possível, investirmos todos em Portugal.

Hoje o Governo apresenta as “Medidas da iniciativa Indústria 4.0, dinamizada pelo Ministério da Economia”, porque o tecido empresarial, independentemente do movimento político, está a mudar e a inovar, mas precisa dos portugueses para crescer. Precisa que cada um de nós assimile a atitude de diariamente, sempre que puder, optar por Portugal. São esses pequenos gestos que todos podemos fazer e que têm impacto positivo efetivo na economia.

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