Isto tinha tudo para ser um país, enfim, o planeta também costumava ter tudo para ser um sítio incrível e feliz. Deixemo-nos de graças, adiantam pouco. Vivemos numa época original, não devemos voltar a ser quem éramos e como éramos. O mundo está do avesso e as presidenciais são prova disso. A grande discussão centra-se ou vai lá parar no Chega e no seu líder. Não há entrevista em que não se fale deste partido e candidato fascista e populista. O mesmo candidato que quer acabar com o nosso modo de vida, para privilegiar as pessoas “de bem”, imagino que seja um critério relativo, logo, dependente do escrutínio e grande iluminação de Ventura.

Marcelo Rebelo de Sousa, 72 anos de idade, vai ganhar as eleições. Não há margem para não as ganhar, assim o mostram as sondagens. As pessoas preferem continuidade e tradição, os dois mandatos presidenciais têm sido regra em anos de democracia. Ora, aceitemos que assim seja, como se diz, custa menos, e pensemos no que está a seguir. Se o líder do Chega ficar em segundo lugar, ele que tem 37 anos e que se tornou uma estrela no firmamento, tão falado e criticado quanto Trump, por exemplo, mas, em simultâneo, divinizado. Quanto mais se fala da criatura, mais poder se confere à dita. É um facto, mas ninguém consegue deixar de falar sobre ele. Tento não dizer o nome dele, qual Voldemort.

A verdade é que precisamos de pensar na longevidade do senhor e no que fará, se ficar em segundo lugar nas presidenciais. Vai ter um poder que não tinha. Vai vangloriar-se de ter milhares de apoiantes, vai desmerecer todos os partidos à direita ou à esquerda. Pior, vai dizer que Marcelo ganhou por tradição, por não sermos de rupturas em épocas difíceis. Se André Ventura ficar em segundo lugar nas presidenciais, o nosso futuro será pior. Vai abrir as asas qual pavão e iniciar a dança da sedução, para as autárquicas e legislativas. Vai ter o posicionamento de um vencedor, com todo o glamour que só a ideia de vitória proporciona.

Não se recordarão os mais jovens do voto útil, de Álvaro Cunhal pedir ao seu eleitorado para fechar os olhos e votar em Mário Soares. Outros terão essa memória muito presente. Diria que estamos na mesma, precisamos de voto útil, que o eleitorado de direita perceba que dar o segundo lugar a Ventura vai aprisionar os outros partidos de direita, e condicionar a sua existência futura, e o que isso implica em termos democráticos.

O eleitorado de direita precisa de rever a matéria dada e as consequências das suas ações. O eleitorado de esquerda precisa de reforçar a esquerda, para que haja uma bipolarização no pódio vencedor. Sim, o voto útil é imperativo para dizermos, de viva voz, milhares de portugueses em uníssono, que a direita fascista não passará, porque as pessoas de bem não a querem.

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