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Da compra de casa ao arrendamento, o que está a acontecer na habitação?

Alexandra Antunes
Alexandra Antunes

Desde 1991 que os preços das casas não subiam tanto. Em 2022 valorizaram 18,7%, segundo os dados revelados pela Confidencial Imobiliário. E a continuação da má notícia? Em 2023 não há perspetivas de abrandamento.

O que tem vindo a acontecer? 

O ano passado deu "sequência à trajetória de forte intensificação no crescimento dos preços observada desde 2017, ano em que a valorização de 12,8% mais que duplicou a de 5,6% registada em 2016", revela o relatório, salientando depois que "os anos 2018 e 2019 consolidaram a tendência, com valorizações homólogas em dezembro de 15,4% e 15,8%, respetivamente".

Durante os anos de pandemia, contudo, o "ciclo foi interrompido, quando os preços de venda da habitação terminaram o ano com um crescimento mais moderado, de 4,8%” em 2020", ao passo que em 2021 já houve um crescimento para "12,2%, num percurso ao qual 2022 veio dar continuidade”.

O ano passado, porém, foi marcado a dois ritmos, de acordo com o estudo. Até julho assistiu-se a uma aceleração, mas o cenário inverteu-se a partir daí.

“Na primeira metade do ano, mais concretamente até julho, os preços mantiveram uma trajetória de aceleração, com sucessivas subidas mensais médias de quase 2,0%”, mas “a segunda metade de 2022 foi de perda de intensidade, com um arrefecimento das variações mensais, que por duas vezes foram inferiores a 1,0%, entrando inclusive em terreno negativo”, pode ler-se.

Quais os concelhos onde é mais barato comprar casa? 

Nisa, no distrito de Portalegre, ocupa o primeiro lugar dos municípios mais baratos para comprar casa em Portugal, com uma média de 420 euros por metro quadrado.

Segundo um estudo do idealista, um dos marketplaces imobiliários em Portugal, o ranking dos dez municípios mais baratos fica completo com Penamacor, em Castelo Branco (431 euros/m2); Góis, em Coimbra (457 euros); Fronteira, em Portalegre (471 euros); Penacova, em Coimbra (472 euros); Sabugal, na Guarda (492 euros); Crato, em Portalegre (501 euros); Nelas, em Viseu (505 euros); Arganil, em Coimbra (509 euros) e Penela, também em Coimbra (510 euros).

E no mercado do arrendamento? 

Tal como no que diz respeito à compra de casa, também o arrendamento tem vindo a aumentar nos últimos tempos. Em 2022, as rendas das casas em Portugal ficaram 2,9% mais caras em novembro, segundo o idealista.

Feitas as contas, Lisboa continuava a ser a capital de distrito onde era mais caro arrendar casa: 17,3 euros/m2. Porto (13,4 euros/m2) e Funchal (10,9 euros/m2) ocupavam o segundo e terceiro lugares, respetivamente. Seguiam-se Aveiro (10,6 euros/m2), Setúbal (9,5 euros/m2), Faro (9,3 euros/m2), Coimbra (8,2 euros/m2) e Viana do Castelo (8,0 euros/m2).

O que está o Governo a fazer?

O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai apresentar “brevemente” nova legislação sobre o setor da habitação, para responder “a várias necessidades”.

António Costa detalhou que a nova legislação versará sobre a necessidade de existirem “mais solos urbanos para que possa haver mais construção”, de “recolocar no mercado da habitação fogos que estão retirados do mercado da habitação” e de adotar “um conjunto de medidas fiscais que deem os incentivos adequados para que os proprietários, com segurança, coloquem mais casas no arrendamento”.

Sublinhando que o Governo está “a executar a todo o vapor o Plano de Recuperação e Resiliência” (PRR), o primeiro-ministro destacou o “grande empenho dos municípios” e reafirmou as metas de construir “26 mil novos fogos para 26 mil famílias que vivem em situação carenciada, e que não têm acesso a habitação condigna” e de reforçar a habitação acessível para jovens e famílias da classe média.

“Temos de completar a atividade do PRR, a execução destas obras, com outras medidas de política e tenho estado a trabalhar com a senhora ministra da Habitação para brevemente apresentarmos uma lei que responda a várias necessidades”, disse.

Para ler mais sobre o tema da habitação: 

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