“Somos fortemente influenciados pelo mundo exterior. Quando definimos os nossos objetivos para 2022 no outono [de 2021], era um mundo muito diferente daquele que temos hoje”.

Foi com esta frase que Sebastian Siemiatkowski, CEO e co-fundador da Klarna, a maior startup europeia oriunda da Suécia, anunciou no início da semana a decisão de despedimento de 10% das pessoas da equipa que atualmente conta com 6500 colaboradores ao nível global.

Os resultados da Klarna no primeiro trimestre do ano registaram um agravamento de 80 milhões de dólares (1º trimestre de 2021) para 250 milhões de dólares e, na semana passada, o Wall Street Journal tinha noticiado que a startup de pagamentos no modelo “buy now, pay later” estava à procura de uma nova ronda de financiamento e que poderia ver a sua valorização baixar de 46 mil milhões de dólares para 30 mil milhões de dólares. O objetivo desta ronda seria a injeção de mil milhões de dólares de dinheiro fresco.

O mercado das tecnológicas tem vindo a registar quebras nas últimas semanas, levando alguns analistas a alertarem para as semelhanças com o que se passou em 2000/2001 aquando da bolha das dot.com, ou a primeira recessão tecnológica após o boom das empresas relacionadas com a Internet. A analogia não é consensual. Ao The Next Big Idea, um dos analistas de fundos presente no mercado português sublinhou que existe hoje uma outra “maturidade” e “preparação” para lidar com o contexto económico.

Klarna no The Next Big Idea

Recorde aqui a nossa conversa com Alexandre Ribeiro Fernandes, Head da Klarna Portugal, em que abordámos os desafios do Buy Now Pay Later enquanto método de pagamento e onde fomos descobrir os planos da empresa para se tornar num banco de consumo diferenciador.

Para empresas como a Klarna, o momento é de foco nos fundamentais do seu negócio – sendo que no mercado em que opera o fator “mundo exterior” é fortemente decisivo, nomeadamente no que se refere às taxas de juro. Nos anos em que as taxas de juro estiveram historicamente baixas, para empresas como a Klarna que propõem aos consumidores modelos de crédito alternativos aos clássicos cartões de crédito, o ambiente era favorável. Agora, com as taxas de juro a subir ou na iminência de subir, isso significa custos acrescidos. “Mais do que nunca, precisamos de apontar o foco ao que realmente nos fará ser bem sucedidos no futuro. Foi com base nisto que tomámos algumas decisões, as mais difíceis que já tivemos de tomar”, disse o CEO.

Sebastian Siemiatkowsk não avançou informação sobre quem e em que funções será dispensado, mas garantiu que todos terão a devida compensação. A informação será dada nos próximos dias e a todos os colaboradores foi pedido que trabalhem a partir de casa esta semana “em consideração com a privacidade das pessoas afetadas por estas mudanças”.

Estados Unidos: despedimentos das centenas aos milhares

Do outro lado do Atlântico, os despedimentos em startups não são novidade. Começaram logo no início do ano e com alguns números de grandeza considerável. Como foi o caso da Better.com, startup de hipotecas, que despediu mais de 3000 colaboradores (33% da equipa) ou da Peloton, startup de fitness que se tornou uma estrela durante a pandemia, e que despediu 2800 pessoas já este ano. Também a app de investimento Robinhood mandou para casa 9% da equipa em abril.

Em fevereiro, a plataforma de eventos Hopin, neste caso com sede em Londres, tinha já dispensado 138 pessoas (12% da equipa).

As bolsas de valores americanas espelham o que se passa nas empresas, o Nasdaq está a perder 25% face ao ano passado, e o Dow Jones, 11%.

A plataforma layoffs.fyi, que rastreia despedimentos em startups desde o início da pandemia de covid-19, totaliza à data em que este artigo é escrito 709 layoffs num total de 119 503 empregados. A Kontist, a Nuri e a Gorillas, as três sediadas em Berlim, são as mais recentes entradas, respetivamente com 50, 45 e 300 despedimentos.

O ano de 2021 foi a todos os títulos singular no que respeita aos valores de investimentos pelas sociedades de capital de risco: um total de 620 mil milhões de dólares, mais do que o dobro do registado em 2020. Até 2021, “nasciam” 150 unicórnios por ano [empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares]; em 2021, esse valor foi superado em cada um dos trimestres. “2021 foi um ano estranho, porque estava muita coisa a acontecer. Havia um certo FOMO [Fear of Missing Out]”, afirmou à CNBC Brian Lee, vice presidente da unidade de research da CB Insights.

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