A fabricante chinesa Huawei, que é líder na tecnologia neste setor, não pode concorrer diretamente aos 42 blocos de frequências leiloadas, mas fornece equipamentos às operadoras alemãs, apesar dos apelos do Governo dos EUA para que os Estados europeus não permitam a concorrência chinesa, alegando razões de segurança e de violação de direitos de patentes.

O governo norte-americano tem feito apelos para que os seus aliados impeçam as empresas chinesas, em particular a Huawei, de fornecer tecnologia para as redes 5G, considerando que elas são potenciais espiões industriais e que violam regras de direitos de patentes.

A Austrália, o Japão e a Nova Zelândia já excluíram empresas chinesas de concursos tecnológicos, por essas razões.

“A Huawei é um fornecedor importante, já presente nas nossas redes anteriores, e seria difícil excluí-la. Não é o que pretendemos”, afirmou Jochen Homman, presidente da Agência Federal de Redes, numa entrevista a uma estação de televisão.

A Agência Federal de Redes supervisiona o leilão hoje iniciado, que deve durar várias semanas e que permitirá ao Governo alemão arrecadar entre três e cinco mil milhões de euros – dinheiro que deverá ser investido em programas de digitalização de escolas.

A Huawei tornou-se, nos últimos anos, líder na tecnologia de redes 5G e vários governos já disseram que não se podem dar ao luxo de dispensar os seus serviços e o seu ‘know-how’.

Mas os Estados Unidos têm insistido junto de países europeus, sobretudo da Alemanha, para que deixe a Huawei de fora de concursos.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado a Alemanha pela sua política comercial, quer na relação com a China, na área tecnológica, quer com a Rússia, no setor energético.

O embaixador dos EUA na Alemanha enviou recentemente uma carta ao ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, deixando a ameaça de rever os protocolos de partilha de informações entre os dois países se a Alemanha não proibisse empresas chinesas de entrar no mercado de telecomunicações.

O tom das ameaças norte-americanas subiu de tom na semana passada, quando o Comandante Supremo das forças aliadas na Europa, o general Curtis Scaparrotti, disse que a NATO deixaria de se comunicar com as forças armadas alemãs se Berlim permitisse a intromissão tecnológica de empresas chinesas como a Huwaei.

“Estamos preocupados com a possibilidade de a estrutura das suas telecomunicações estar comprometida, porque, particularmente com o 5G, a capacidade de extrair dados das redes é muito elevada”, disse Scaparrotti.

O ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, já respondeu e disse que não há relações tecnológicas com a China e que está a ser preparada uma lei para limitar a participação de empresas chinesas em áreas consideradas estratégicas.

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