Iris Lapinski  - alemã, 37 anos - é fundadora e co-CEO do “Apps for Good” (em português “Aplicações para o Bem”), uma organização britânica que promove a educação tecnológica e desafia os jovens em escolas por todo o mundo, incluindo em Portugal, a desenvolver aplicações para telemóveis ou outros suportes digitais, com fins sociais ou que beneficiem a sua comunidade. Mas não se resume a isso. O “Apps for Good” desafia alunos e professores a serem “content makers” e “digital solvers”.

Em 2012, Lapinski integrou a lista dos 50 novos Radicais Britânicos, uma iniciativa do jornal Observer e em 2014 foi considerada uma das cinco estrelas em ascensão na área da inovação pela revista Forbes.

Segundo a fundadora - para quem a tecnologia está a mudar o paradigma educacional - o “Apps for Good” é “um movimento tecnológico educativo” que “apoia as escolas e professoras” a ajudar a resolver digitalmente “problemas do dia-a-dia”.

“Queremos ver os professores como mentores e apoiantes dos alunos na sua jornada de aprendizagem” não apenas como a figura de “quem lhes ensina a lição”, diz. E o feedback dos alunos é bastante positivo, “sentem-se ‘donos’ da sua educação”.

“Tipicamente as escolas decidem o percurso do aluno” e essa é uma das razões pelas quais muitos adolescentes se sentem desmotivados nas escolas, explica. “Se os ajudarmos a resolver os seus problemas” ou “se lhes dermos capacidades para usarem no seu contexto pessoal, profissional ou familiar conseguimos ver um re-envolvimento”.

“Para nós a tecnologia é uma desculpa para motivar os alunos e dar-lhes skills”- este é o grande desafio que o “Apps for Good” enfrenta, segundo a fundadora do projeto.

No futuro quer “garantir que providenciam um serviço educacional de qualidade” e que “encorajamos os jovens a descobrir talentos que não descobririam de outra forma”. 

 

Em 2015, o “Apps for Good” associou-se à CDI Portugal, uma organização não governamental que tem como missão transformar vidas através da tecnologia. Chega aos jovens – entre os 10 e os 18 anos, do ensino básico e secundário - através de parcerias com organizações de educação formais ou informais – das escolas às associações - e tem ainda como parceiros a Direção-Geral da Educação, a Microsoft, a Fundação Calouste Gulbenkian, entre muitos outros. Começou como um projeto-piloto em 20 escolas do país e a 3ª edição (2016/2017) prevê já a participação de 1800 alunos oriundos de 200 escolas.

As principais linhas orientadoras do programa visam capacitar os jovens para “a resolução de problemas” e para o “empreendedorismo digital”.

A aplicação do programa em solo nacional difere do modelo britânico – ou do modelo adotado noutros países. Como Iris Lapinski realça, “os desafios que os alunos portugueses enfrentam são diferentes das necessidades de outros” alunos de outras nacionalidades.

Anualmente, o “Apps for Good” atribui Prémios aos professores, especialistas e escolas - os três pilares fundamentais para o sucesso do modelo -  envolvidos nos projetos.

O que fazer para o jantar? A Cook Wizard dá uma ajuda

A aplicação, desenvolvida por um grupo de estudantes do Agrupamento de Escolas de Nelas, é uma espécie de “dispensa virtual”. Sugere aos seus utilizadores receitas organizadas por tipo de refeição, nível de dificuldade e tempo de execução, considerando ainda os ingredientes que o utilizador tem disponíveis em casa.

A Cook Wizard foi a “Escolha do Público” da segunda edição dos prémios Apps for Good, atribuídos a 13 de setembro deste ano na Fundação Gulbenkian.

Durante a Web Summit, dia 9 de novembro, alguns destes jovens empreendedores tiveram a oportunidade de apresentar ao ministro da educação o seu projeto. Tiago Brandão Rodrigues partilhou o painel “Building for an Era of Makers”, no palco “Future Societies” , com Iris Lapiski.

Iris Lapiski (co-CEO da Apps for Good) / Tiago Brandão Rodrigues
Créditos: Paulo Rascão / MadreMedia

A Web Summit ensinou-os “a não desistir” e ao ministro explicaram o funcionamento da sua aplicação. Para Tiago Brandão Rodrigues estas iniciativas, como as que o "Apps for Good" promove, são bastante importantes pois “permitem aos alunos terem a possibilidade de fazerem eles mesmos, de pensarem e de construírem um projeto desde o início”. “A contaminação positiva entre alunos de várias idades e formações” e o fomento do “espírito crítico” são outros dos aspetos positivos apresentados pelo ministro.

Para o professor Bruno Cardina, do Agrupamento de Escolas de Nelas e responsável pelo acompanhamento do projeto "Cook Wizard”, iniciativas como estas, promovidas pela GDI e "App for Good", são uma mais-valia. E realça os seus benefícios, como a oportunidade de transpor para a escola “de uma forma mais simplificada e prática, modelos empresariais usados no dia-a-dia” ou a inversão da “pirâmide do ensino”, isto é, dos “alunos colocarem em prática aquilo que aprendem e procurarem aquilo que ainda não sabem”.

O "Apps For Good" é desta forma, para o professor, “um projeto que nas suas diferentes etapas traz para os alunos esta abordagem mais prática, obrigando-os a pensar 'fora da caixa'”.

Rui Matias, 17 anos, aluno do Agrupamento de Escola de Nelas e um dos jovens criadores, diz que a sua participação na “Cook Wizard” trouxe-lhe uma capacidade de superação” que não sabia ter, “um espírito de sacrifício” que o fez “abdicar de muitas coisas em prol do projeto, mas que veio a compensar”.

O estudante diz ainda que “além de todas estas novas descobertas, [o projeto] desenvolveu a iniciativa, autonomia e criatividade [do grupo de trabalho] de um modo que o currículo normal da escola não consegue fazer”, alargando os seus horizontes para “uma nova área de trabalho futura, a tecnologia”.

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