Eles andam aí, os ninjas. Nos tempos ancestrais do Japão, eram mercenários dotados para a espionagem e artes de guerra. Nos tempos que correm em Portugal, são pessoas com a habilidade de ajudar fornecedores e retalhistas. Como? Verificando se o tipo de exposição dos produtos e das promoções dos mesmos está a ser cumprida, de acordo com o estipulado entre a marca e a loja.

É este o conceito da Brands & Ninjas, uma empresa que distribui "missões" a uma série de pessoas que ficam responsáveis, por exemplo, por confirmar se um aspirador ou um pacote de bolachas em promoção estão no expositor certo, da secção certa, de um supermercado. Para além das promoções, os ninjas verificam ainda "a disponibilidade de um produto em loja, a monitorização de preço" e outras questões relacionadas com "o dia a dia de uma marca em loja", conta ao The Next Big Idea Hugo Varrúcio, co-fundador da empresa.

A prova de cumprimento ou não cumprimento chega através de uma fotografia, associada ao raio de localização da loja em causa, que permite que a missão seja bem-sucedida na plataforma onde estão disponibilizadas as tarefas a cumprir. "Vamos imaginar que é preciso perceber se nas prateleiras de um determinado supermercado está o produto A, B e C. Nós vamos à plataforma e dizemos os locais onde queremos que a nossa comunidade se dirija, para verificar se esse produto se encontra na prateleira ou não", explica José Pedro Moura, co-fundador e CEO da Brands & Ninjas.

Para ser um ninja basta ser maior de idade e ter um smartphone. A inscrição é feita no site da Brands & Ninjas e a partir de aí é possível ter acesso às missões para as quais é preciso a ajuda dos ninjas, que são pagos por serviço. Quem faz este trabalho, fá-lo sem qualquer tipo de identificação, como um verdadeiro ninja, e pode até aproveitar a sua ida às compras para angariar algum dinheiro, a qualquer hora de funcionamento das lojas.

Neste momento há 600 pessoas a trabalhar para a Brands & Ninjas, com uma formação básica, para que percebam alguns conceitos relacionados com o serviço. José Pedro Moura esclarece que a empresa tem uma "conversa breve com as pessoas, para que elas percebam o que é que é o linear, um expositor, o espaço extra, a forma como a fotografia deve ser tirada" e outras questões relevantes neste processo.

"Nós somos muito rápidos a ir para o terreno", diz o fundador da empresa que chegou a conseguir num sábado ter ninjas a visitar cerca de 600 lojas. O CEO da Brands & Ninjas refere que "as marcas às vezes até têm equipas próprias, mas são só algumas pessoas e não cobrem a imensidão de pontos de venda que existem no país. Muitas vezes estas equipas vão aos supermercados maiores, mas esquecem-se de que existem outros supermercados". É deste modo que os ninjas surgem como uma resposta à dificuldade de cobrir a presença das marcas a nível nacional. Por exemplo: em 2019, num das primeiras missões da empresa, foi possível verificar que a campanha de um produto não tinha sido implementada em 35% das lojas.

A primeira marca com quem trabalhou a Brands & Ninjas foi a Delta, com uma primeira missão em 150 lojas. Depois juntaram-se também a Navigator e a SONAE. Foi com este trio de entidades que a empresa terminou a prova de conceito e desenhou as linhas-base para aquilo que seria o seu negócio. Atualmente, já com uma ideia mais robusta, começam a juntar-se mais clientes.

A SONAE que, à partida seria o alvo da Brands & Ninjas, é também uma cliente. A multinacional, responsável por grandes superfícies como os supermercados Continente, teve uma primeira conversa com a empresa na qual afirmou: "toda a gente vai ganhar". Segundo José Pedro Moura, um dos responsáveis pela SONAE disse que os retalhistas tinham "a obrigação de cumprir os contratos que assinam". É deste modo que a Brands & Ninjas trabalha tanto do lado dos fornecedores como do lado das lojas. A empresa garante que não tem uma "lógica de mandar alguém abaixo" e quer apenas colmatar algumas falhas neste setor.

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Um artigo do parceiro

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