Os únicos animais com que o SAPO24 se cruzou na Web Summit eram animais de apoio, alguns inclusive de credencial ao peito. Contudo, não quer dizer que os patudos não tenham sido uma peça central da feira tecnológica. Todos os dias as startups dedicadas a este tema apareciam com propostas diferentes e sempre a despertar interesse em muita gente.

Maven Pet não foi uma exceção, mas foi talvez a mais diferente daquelas com que o SAPO24 se cruzou. Isto porque tem uma tecnologia não muito distante dos smart watch que se tornaram moda no pulso dos humanos, mas em forma de coleira. Joana Caramba, responsável de comunicação, simplifica o processo. "Criámos um sistema de Inteligência Artificial que avisa os veterinários quando há alguma coisa errada com os animais."

A forma como os veterinários recebem essa informação é a grande novidade, "a nossa Inteligência Artificial está a recolher informação de três formas diferentes. Temos uma coleira inteligente, que recolhe informação do sono, do ritmo respiratório, sinais vitais, etc. E também estamos conectados à app onde os donos põem informação, e também informação de vários sites veterinários".

A aplicação, explica, é essencial. Aí estão os dados específicos daquele animal, assim se alguma coisa fugir à normalidade a aplicação alerta logo. "Isto ajuda a diagnosticar mais rápido e a perceber quando há alguma coisa errada muito mais cedo."

Joana deixa bem claro que conseguem ajudar a diagnosticar quase tudo, "mas somos só uma ajuda". Frisando que não se querem substituir aos veterinários, "mas podemos ajudar a detetar problemas articulares, diabetes, ansiedade, muitos na realidade. Como recolhemos tantos dados diferentes e temos o contexto clínico conseguimos ajustar essa informação a cada animal de estimação." E jogam com todas as variáveis, "tendo em conta a raça a idade, tudo o que imaginarem."

Esta coleira, que custa cerca de 100 dólares, já anda no pescoço de muitos cães e gatos pelo mundo fora. A maioria dos clientes estão nos EUA que é onde estão sediados, "temos cerca de 100 animais a utilizar com venda direta aos donos, mas agora temos também à venda em clínicas no Reino Unido, nos EUA, Canadá, Austrália, França e Alemanha."

Portugal também não está fora da lista, "já temos algumas clínicas, e estamos a fazer parcerias com cirurgiões e e veterinários cá". Até porque, embora a empresa e o CEO estejam sediados em Newark são todos portugueses e a equipa trabalha quase toda a partir do Porto.

Coleira Inteligente Maven
Coleira Inteligente Maven créditos: Maven

A saúde dos animais preocupa de tal forma os donos que foram vários os que na Web Summit viram aqui o caminho. Przemyslaw Mazurek é polaco e o CEO da VetAPP, "uma ferramenta médica para donos e veterinários". Cujo objetivo é ajudar a diagnosticar, escolher o tratamento e, depois, monitorizar se o tratamento está a resultar.

A grande inovação? "Temos tecnologia avançada, temos o nosso próprio modelo de Inteligência Artificial, não usamos o Chat GPT", explica.

O facto de ser exclusivo é importante para o CEO, "queremos dar um serviço aos donos totalmente personalizado ajudar a perceber se uma queixa é seria ou não. Queremos ser um bisturi para os veterinários. Ajudá-los a ganhar tempo mas, também a diagnosticar melhor, ajudar na sugestão do medicamento certo, terapias e nutrição. E depois monitorizamos tudo, fazemos o processo completo." Acima de tudo querem simplicidade, "queremos ser uma solução única".

Na esperam encontrar investidor, estão a venda apenas nas clinicas parceiras mas a partir de janeiro estarao disponiveis, e saltar da Polónia para o uk

Do outro lado do mundo, de Tawain, chega a Meow Woof que tem mais ou menos a mesma proposta. Jenny Chien é a Responsável pelo Negócio desta startup que quer fazer "tudo o que estiver relacionado com animais de estimação, ligamos os veterinários aos donos de animais".

Explica ao SAPO24 que a app "funciona mais ao menos como Uber Eats, não só se pode descobrir a que clinica ir, como perceber se é uma viagem útil ao veterinário". Porque, explica, "mais de 70% das visitas às clínicas não são necessárias, porque os donos dos animais não falam a sua linguagem e ficam assustados facilmente".

Por isso na Meow woof há Inteligência Artificial disponível para fazer consultas 24 horas por dia,  "para que se entenda o que o animal tem antes de se dirigir apressadamente a uma clínica".

Além disso na app que já tem 400 mil utilizadores dão "dicas personalizadas aos donos na forma de melhor tratar os seus animais". E "eventualmente vamos ter disponível tudo que diz respeito aos animais, não apenas veterinários".

Mas se os donos de animais têm dificuldade em entende-los, há uma empatia com outros donos. E foi essa relação que levou Gabriel Betancourt, CEO, e Gergana Dimitrova, Responsável Jurídica e de Marketing, a criar a PetMe, na Estónia.

Gabriel explica que é a primeira rede social que está a quebrar o conceito de um perfil por utilizador, "o problema desta regra é que ultimamente as pessoas têm estado a criar perfis para os seus animais, e no formato atual das redes sociais isso não resulta". Não só por haver uma regra, mas porque "nem toda a gente relação com animais". E assim nasce a PetMe "um conceito que tem perfis integrados para animais. Cria-se a conta principal e depois perfis secundários para os animais de estimação".

Mas não é uma rede social para animais, é uma rede social que gravita em torno da relação de amor entre os humanos e os animais. É principalmente para donos, mas não só. "É seguramente para todos amantes de animais".

Chegam à Web Summit na altura em que a aplicação celebra um mês de existência e num mês de vida passaram de 400 users para 6000. Na feira tecnológica querem "conectar com pessoas, mostrar o que fazemos ao mundo".

Mas o mundo já os conhece, têm utilizadores em todos os continentes, "mas maioria dos são do continente americano".

A aplicação "é totalmente grátis, vamos acrescentar uma versão premium que é paga, mas para empresas." Asseguram que  "para os utilizadores será sempre gratis e sem anúncios." O modelo de negócio é baseado em "tirar o rendimento às empresas, que de futuro poderão vender os seus produtos numa rede social super direcionada. E estamos a planear ter uma parceria com criadores de conteúdo que sejam utilizadores, de forma justa. Partilhando com eles o rendimento dos seguidores que têm".

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