Em Lisboa vão juntar-se profissionais das áreas de desenvolvimento de software e de operações. Dois universos essenciais nas tecnologias de informação e de cuja comunicação e articulação depende o sucesso de muitos projetos e empresas. O objetivo do evento, o primeiro à escala nacional, é simples: ajudar a simplificar os processos dentro das empresas, olhando também para o que se faz no estrangeiro.

Para Cristina Moura, uma das responsáveis pelo projeto, "o DevOps é, na prática, uma forma melhor de trabalhar que foi sendo descoberta", começa por referir. "É uma forma mais colaborativa e melhor de se trabalhar e que acaba, de uma forma ou de outra, por bater à porta de toda a equipa que precisa de trabalhar com bastante eficiência", explica.

E parte para o seu caso. "Eu trabalho numa área de televisão, uma área que obriga a alta disponibilidade e a que constantemente sejam lançadas novas funcionalidades, novos produtos para os mercados e para os clientes. E é preciso ter a certeza de que não falham, não podem falhar nem um milímetro. Isto quer dizer que todas as equipas têm de estar muito alinhadas, têm de saber trabalhar conjuntamente. O DevOps aparece aqui quase naturalmente, quase geneticamente, se é que podemos dizer assim. E ao aparecer é normal que nós, enquanto equipa, e eu, pessoalmente, tenha começado a procurar mais informação na nossa comunidade, para que as pessoas se pudessem juntar para partilhar experiências e informação. Encontrar esta comunidade DevOps em Lisboa foi fácil, juntar-me a ela foi ainda mais fácil e quando surgiu esta ideia de organizar uma conferência à escala nacional vi que tinha mesmo de acontecer, era algo que o nosso país já precisava que acontecesse", refere.

Além do DevOpsDays, "este ano estão a acontecer várias conferências em Portugal pela primeira vez, o que quer dizer que Portugal de facto está a colocar-se — e é Portugal, não é Lisboa — como um ponto tecnológico muito interessante. Temos visto cada vez mais empresas a abrir aqui centros tecnológicos, de tecnologia de ponta, de coisas da nossa atualidade", ressalta Cristina.

O DevOpsDays teve início na Bélgica, em 2009, e a partir daí tem sido estendido a outros países. Quanto ao termo DevOps, este é uma junção das palavras development [desenvolvimento] e operations [operações], sendo uma prática de engenharia de software com o objetivo de unificar o desenvolvimento e a operação de software.

Ao longo de dois dias — 3 e 4 de junho — as instalações da EDP, em Lisboa, recebem o evento. A ideia é alternar com outras cidades do país. O conteúdo privilegiado nesta conferência é o de experiências reais de adoção de práticas DevOps em Portugal e noutros países, de forma a escalar o que é feito nas duas cidades portuguesas e a trazer o que está a ser feito lá fora.

"Olhando para o leque que temos de speakers e para os temas que vão ser abordados, espera-se que realmente todos possamos sair bastante enriquecidos com esta partilha de experiências. Nós escolhemos aqui muitos casos em que o que está em causa são as experiências das próprias empresas: como é que fizeram, por que dificuldades é que passaram, como é que conseguiram chegar ao outro lado, como foi a viagem entretanto. É uma coisa que vai enriquecer todos aqueles que estiverem presentes na conferência e a passar por situações semelhantes, para ficarem com uma ideia do que podem fazer e do que as outras empresas fizeram", diz. Para completar as conferências, há ainda a possibilidade de, informalmente, fazer-se uma troca de experiências mais específica, de modo a encontrar este apoio da comunidade.

Mais do que ouvir falar de código, estar num evento sobre DevOps é falar de outros temas que até há pouco tempo não tinham espaço em conferências tecnológicas. "Os temas que não cabiam muito no universo técnico — que são temas mais de cultura e de comportamento —, como a questão da necessidade da confiança entre as equipas, questões como haver sempre alguma vulnerabilidade, ter de haver uma cultura para as equipas poderem funcionar melhor, por exemplo, eram coisas de que não se falava no início no milénio. Mas hoje em dia eles já fazem parte do ADN destas equipas que estão envolvidas em DevOps diariamente e por isso vamos falar também de tudo isto", revela Cristina Moura.

"Elegemos dois grandes temas [para o DevOpsDays]: relatórios de campo — o que as empresas estão a fazer no contexto real, como é que estão a adotar práticas, valores e orientações DevOps — e CALMS [Culture, Automation, Lean, Measurement, Sharing], que são cinco pilares do movimento DevOps e que permite fazermos sessões sobre eles; é uma vertente mais técnica da adoção do movimento", explica Eduardo Piairo, um dos organizadores da conferência.

Ao longo dos dias vão passar pelo evento vários oradores que apresentaram a sua proposta de conferência — foram submetidas 130 e escolhidas 16 —, tendo ainda dois keynote speakers convidados.

Nesta primeira edição, a lotação máxima foi alcançada: 300 bilhetes vendidos, o que significa um auditório cheio. Já se pensa numa nova data, no próximo ano, mas desta vez "mais a norte", sem se revelar ainda o local exato. Para esta primeira edição, o evento conta como sponsors "não só a EDP, que cedeu as instalações, mas também empresas como a Accenture, a Microsoft, a Fujitsu", entre outras, enumera Cristina.

Para quem não conseguiu bilhetes a tempo, a organização vai disponibilizar, no mês seguinte ao DevOpsDays Portugal, um canal de YouTube com todas as conferências, que vão ser gravadas. Para Cristina, esta é uma forma para que "quem não conseguiu lugar presencialmente consiga participar à mesma e aprender alguma coisa".

Informações sobre as talks vão também ser disponibilizadas através de uma newsletter que qualquer pessoa pode assinar.

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