Estarão as casas norte-americanas a ficar “slackficadas”? Segundo a publicação The Atlantic, sim, usando no título do seu artigo o nome da popular ferramenta de comunicação empresarial Slack.

Pensadas para gerir projetos, criar listas de tarefas e/ou comunicar diretamente com funcionários de vários departamentos, estas aplicações tornaram-se parte da gestão do trabalho em escritórios e redações de todo o mundo.

Contudo, as funcionalidades que softwares como o Asana, o Trello ou o Jira oferecem tanto servem para estabelecer um prazo de entrega de um relatório como para avisar os miúdos que é a sua vez de levar o cão à rua, e é por isso que são cada vez mais famílias nos EUA a usá-los no seu dia a dia.

Há que entender que a família já não é o que era. Por um lado, as crianças têm cada vez menos tempo livre e estão a participar em mais atividades extracurriculares, o que leva os pais a ter de fazer ginástica com o tempo; por outro, os próprios progenitores sentem mais dificuldades em balancear a vida profissional com a familiar. Segundo um estudo datado de 2015 citado no artigo, 65% dos pais com uma licenciatura enfrentam esse desafio, divididos entre escritório e casa.

A solução tem passado, portanto, por encarar um pouco a casa como um local de trabalho, procurando ferramentas eficientes para gerir tempo e delegar responsabilidades, de forma a minimizar esforços e maximizar as atividades de lazer. Aliás, nos últimos anos têm sido vários os artigos a promover estas aplicações para melhorar a vida familiar.

A Atlantic dá o exemplo — um entre vários — de Tonya Parker, uma mãe que, para melhor organizar a sua vida familiar, colocou os seus quatro filhos, com idades entre os nove os 18 anos, a usar o Trello. Se normalmente esta ferramenta serve para organizar tarefas laborais, a finalidade para esta mãe foi a de fazer a sua prole ficar a par de afazeres, compras e trabalhos de casa.

Segundo Tonya, foi apenas durante a universidade que passou a ser responsável pelas suas tarefa, pelo que quis que os seus filhos tivessem essa experiência mais cedo e o Trello tem ajudado porque simplificou a comunicação em casa para manter tudo em ordem.

Este tipo de ferramentas têm sido particularmente úteis para famílias onde os dois pais se encontram empregados, uma tendência cada vez maior face ao declínio do papel das mães enquanto responsáveis pelo lar e dos pais pelos rendimentos. Não só as aplicações permitem assim uma melhor coordenação entre os dois, como, segundo Melissa Mazmanian, professora de informática na Universidade da Califórnia em Irvine, ajudam a tornar a divisão de tarefas mais equitativa.

Os próprios responsáveis destes produtos têm noção destas potencialidades. Joshua Zerkel, um dos responsáveis pelo Asana, diz ter vindo a ouvir cada vez mais pessoas a dizer que este software tem aplicações para além dos seus propósitos empresariais, como preparar um casamento ou fazer uma mudança de casa. Igual postura tem Stella Garber, chefe de marketing do Trello, dizendo que esta ferramenta foi pensada para ser “uma ferramenta para usar tanto no trabalho como na vida” e que a empresa chegou a dar exemplos de aplicabilidade, como por exemplo preparar umas férias ao Havaí.

No entanto, apesar das virtudes da utilização destas ferramentas de produtividade no lar, nem todos os pais tiveram boas experiências. Tal é o caso de Peder Fjällström, que optou por testar o Slack e até escreveu positivamente sobre a experiência. Porém, ao fim de quatro meses de utilização, o empresário apercebeu-se que a ferramenta estava a fazer da sua vida familiar trabalho. A divisão de tarefas estava a ser otimizada, mas não o trato entre os membros da família.

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