A compra do Slack pela Salesforce é um negócio que envolve uns impressionantes 27 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros). Muito dinheiro em cima da mesa e uma série de questões sobre o que representa para a empresa inicialmente conhecida como Tiny Speck e que trabalhou durante quatro anos num jogo online chamado Glitch - que não deu certo.

Sendo uma intervenção previamente gravada nesta edição digital da Web Summit, na conferência, ficámos a ouvir Cal Henderson a falar do propósito que o trouxe ali: a primazia do trabalho remoto em contexto de pandemia e de como, no pós-pandemia, teremos um mundo diferente. Ajudam alguns dados e Cal Henderson trouxe-os. O fundador do Slack citou um estudo que, segundo disse, mostra que só 22% dos trabalhadores em escritórios querem voltar a tempo inteiro para o escritório após a pandemia, enquanto os restantes 78% preferem um modelo híbrido.

Mas, se os números nos fazem refletir sobre o futuro, as situações de mudança vividas este ano permitem entender a dimensão do que estamos a atravessar. A própria história do Slack é prova disso. Em março, quando a pandemia se instalou no mundo ocidental, a empresa fechou os escritórios em São Francisco e, conta o cofundador, era uma medida de carácter temporário, muito temporário.

“Na altura em que o decidimos fazer pensámos em algo de curto prazo e não que íamos estar meses assim. Obviamente não foi verdade”, conta agora. Mais curioso é a percepção que tem da própria empresa cujo negócio é fornecer soluções de trabalho remoto: “se um mês antes perguntasse se era possível todas as empresas trabalharem remotamente, diria que não era possível”.

Hoje, o Slack – e a maior parte das empresas que têm o negócio centralizado em escritórios – sabem que não só é possível como que dificilmente as coisas voltarão a ser como eram antes.

O que não significa que não existam desafios e a integração de novas pessoas sem espaço físico comum para as equipas se conhecerem é um dos mais importantes. Algo em que o Slack está a trabalhar, procurando encontrar ferramentas que ajudem a estabelecer novas formas de interação – e de empatia – em contexto de distanciamento.

O facto é que o conceito de “ir para o trabalho” provavelmente mudou para sempre – pelo menos para quem trabalha em escritórios. Segundo Cal Henderson, os inquéritos que têm vindo a ser feitos mostram a preferência por modelos mistos em que as tarefas que exigem colaboração possam ser feitas no escritório e o trabalho individual possa ser feito em casa.

Tudo isto deixa em aberto um espaço de evolução em que a forma como as pessoas se relacionam no escritório vai mudar – como é ainda difícil de antecipar. As relações casuais, sejam quando se vai tomar um café ou se encontra alguém na mesma mesa de almoço, são uma das perdas de 2020 e o impacto dessa socialização na vida das pessoas e das empresas terá de ser equacionado daqui para a frente.

Um desafio em que a tecnologia, ou as empresas tecnológicas melhor dizendo, acreditam que podem também ajudar a resolver. Basta recordar que Eric Yuan, CEO da Zoom e que também esteve presente na edição deste ano da Web Summit, acredita que "será possível sentir um aperto de mão, o cheiro de um café ou ter tradução simultânea graças à inteligência artificial, quase como se as pessoas estivessem no mesmo espaço". Talvez seja demasiado futuro para um ano que já nos levou a várias mudanças antes impensáveis.

[Artigo corrigido às 22:35]

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