Em dezembro de 2019, a Zoom contava com 10 milhões de participantes em sessões diárias.

Em abril, eram 300 milhões por dia.

Em 2020, foram gastos 3 triliões de minutos em reuniões no Zoom – e o ano ainda não acabou.

Pelo meio, uma pandemia fechou muitas pessoas em casa e tornou a necessidade de comunicação ecrã a ecrã prioritária.

As contas do último trimestre da empresa divulgadas em novembro apontam para um volume de negócios de 777 milhões de dólares, mais 367% face ao ano anterior – e na prática mais dinheiro do que em todo o ano anterior. As ações da empresa, por seu lado, dispararam quase 500% em 2020.

O homem que dá nome ao projeto, qual arquitecto assina uma obra, é Eric Yuan. De origem chinesa, hoje com 50 anos, por 8 vezes viu recusado o visto para viver nos Estados Unidos. Aos 27 anos conseguiu. Trabalhou na Cisco WebEx – onde liderava uma equipa de 800 pessoas quando se despediu – e sempre soube que queria fazer a sua própria empresa. “Vou começar a minha própria empresa. Não sei quando nem como mas é o meu sonho”, partilhou na sessão da Web Summit em que esteve presente – numa outra espécie de zoom.

Yuan diz que, para quem passa por Silicon Valley, é difícil não pensar em ser empresário. “Tem sempre um sonho”. Um sonho de ter “uma pequena oportunidade para fazer uma melhor solução”. Que é provavelmente uma forma pueril de descrever o que fez com a Zoom. Que, diga-se, esteve longe de ser uma história de sucesso instantâneo, mesmo ainda enquanto ideia. Yuan sorri, hoje em paz, quando diz que “não me lembro de quantas rejeições tive porque foram tantas”. Mas isso não mudou o sonho “de começar uma empresa e de ir a Nova Iorque tocar a campainha”.

Ainda não tocou a campainha na Bolsa de Nova Iorque – a pandemia também suspendeu essas cerimónias – mas já fez o caminho. Um IPO totalmente realizado online em plena pandemia, em abril de 2020.

E como foi crescer a um ritmo estonteante de 10 para 300 milhões em menos de seis meses? Entusiasmante ou assustador?

“Ambos”, responde o fundador da Zoom. Com algumas premissas cumpridas para que fosse possível dar resposta e aproveitar a “pequena oportunidade”: muito trabalho, muitos processos e ser rápido a aprender e a corrigir. E, em último e nunca por último: garantir que os colaboradores têm a cultura da empresa, sobretudo quando se está a contratar massivamente – à distância - e é mais do que nunca necessário manter uma ideia do que se é e do que se quer fazer.

No que lhe diz respeito, Yuan diz que gostou de trabalhar mais horas. “Gosto porque tenho mais responsabilidade, estamos a ajudar as pessoas a manterem-se em contacto durante uma crise pandémica”. Ou não fosse o mote da empresa "deliver happiness".

Conselho a quem navegue nas mesmas águas, deixa apenas um: “sejam pacientes, continuem a fazer o que são bons a fazer e disfrutem do momento [enjoy the dance]”. Palavras que batem certo com o que Eric Yuan respondeu à jornalista Alyson Shontell sobre o que tinha mudado nestes meses de crescimento acelerado e em que a sua fortuna aumentou em 400%: “nada mudou, continuo o mesmo – apenas gosto mais do que estou a fazer”.

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Um artigo do parceiro

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