Moneyball é um nome que cinéfilos e fãs de desporto associam com facilidade a um filme de 2011 que tem por base um livro publicado em 2003. Livro e filme têm nomes bem conhecidos da indústria do entretenimento. O livro que lhe deu origem intitula-se "The Art of Winning an Unfair Game" e foi escrito por Michael Lewis, também autor, entre outros, de "The Big Short" sobre a crise financeira de 2008. O filme "Moneyball", chegou aos cinemas com assinatura de Aaron Sorkin no argumento e tendo no papel do protagonista Brad Pitt, e conta a história de como a equipa de basebol Oakland Athletics na época de 2002 chegou aos lugares de topo usando um método de análise do jogo e dos jogadores suportado em dados estatísticos.

A história do livro e do filme mais interessante e complexa que “apenas” a utilização de dados estatísticos no basebol, mas para o efeito deste artigo vamos manter-nos por aqui já que o propósito é falar de uma startup com um projeto focado na áreas de desporto e usando dados analíticos e que foi buscar o nome ao filme de 2011.

Há cerca de 3.5 mil milhões de espectadores de futebol em todo o mundo e que passam 90 minutos do seu dia a ver um jogo

O que é então a Moneyball? Apresenta-se como uma plataforma de gestão de publicidade que usa inteligência artificial para ligar marcas, clubes de desporto e os respetivos fãs através da segmentação de anúncios pagos para televisão.

“A missão da Moneyball é fornecer novos instrumentos para ajudar todos a crescerem: as marcas e os clubes. O futebol é o “desporto rei” e nove dos 25 maiores clubes do mundo já oferecem serviços de OTT ads como forma de monetização, para além dos bilhetes, merchandising e direitos de transmissão.” explica Hélder Silva, CEO da Moneyball e com um doutoramento em neurociências. “Os clubes de futebol apenas alcançam 0.01% dos seus fãs com os negócios paralelos afetos ao desporto, quando poderiam estar a chegar a um público muito maior e a ter um revenue muito superior, e a Moneyball permite exatamente isto.”, acrescenta.

O OTT advertising consiste em anúncios destinados diretamente ao consumidor através da segmentação de preferências, características ou localidade e é sobretudo aplicado a redes sociais ou plataformas de streaming. A Moneyball propõe-se usar este tipo de gestão de anúncios ao utilizar o mesmo modelo de negócio aplicado à televisão, em especial, aos canais e programas de desporto.

O objetivo é chegar a uma audiência mais alargada, fazendo target para o seu público-alvo ideal, através das plataformas que atraem mais visualizações no mundo, nomeadamente as que operam no setor do entretenimento, em especial do futebol. Segundo dados da Moneyball, há cerca de 3.5 mil milhões de espectadores de futebol em todo o mundo e que passam 90 minutos do seu dia a ver um jogo (mais do que a média de tempo gasto no TikTok).

No fundo, trata-se de garantir que a publicidade emitida em televisão consegue ser direcionada para as pessoas que podem ter interesse nela, em vez de ser usada indiferenciadamente.

O QUE PERMITE FAZER A PLATAFORMA DA MONEYBALL

  • Colocar publicidade dinamicamente incorporada através de anúncios em vídeo;
  • Utilizar abordagens baseadas em machine learning para automatizar e otimizar os processos de identificação de potenciais consumidores, extração de informação e segmentação do
    mercado;
  • Publicidade direcionada de modo a apresentar aos consumidores as mensagens publicitárias mais relevantes;
  • Gestão de anúncios em vídeo orientados para a semântica;
  • Distribuir os dados de forma eficiente, a fim de maximizar o ROI das marcas para os consumidores de meios de comunicação;
  • Integração com as tecnologias existentes já implementadas;
  • Dados e análises.

“Ao usar a inteligência artificial, a Moneyball dá mais um passo do que os anúncios já usados em broadcasting, que apenas chegam a uma percentagem do público-alvo pretendido que está a ver em direto. Esses anúncios são dispendiosos e só algumas marcas com maior poder de compra podem fazer esse investimento. Ao fazer uma segmentação de mercado, a Moneyball permite até a marcas locais utilizarem a plataforma para adicionar e publicar anúncios, garantindo um maior retorno pelo seu investimento e um custo por clique menor. Desta forma, os clubes também são beneficiados ao terem um maior número de marcas a contratar os serviços de OTT ads, através da Moneyball, que fica com uma fee de 12% do valor investido, e os clubes com o restante valor pago pelas marcas”, explica a startup.

“Estamos a desenvolver uma tecnologia com capacidade de rastrear objetos em movimento e analisar quando estamos perante um momento decisivo do jogo, o que desempenha um papel crucial, uma vez que nos permite exibir os anúncios sem qualquer fricção para o utilizador e exibi-los quando o jogo está em pausa”, acrescenta Helder Silva sobre o funcionamento da plataforma.

A equipa fundadora da Moneyball é constituída por Helder Silva, Mauro Bousquet e Joel Silva, ambos com experiência como agentes de futebol, Ricardo Nasuti, que ocupou funções de Football Digital Manager em clubes como AS Roma e ACF Fiorentina, e Ettore Battaglini, com background de gestão hoteleira no segmento desportivo.

A empresa está registada em Portugal e tem sede no Porto.

Segundo informação prestada pela equipa da Moneyball, a empresa está “neste momento a assinar com clubes da Serie A e B italiana” tem também por objetivo chegar ao mercado asiático, face à sua grande audiência desportiva. A startup prevê também fechar uma ronda de investimento ainda em 2022.

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Um artigo do parceiro

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