Foi com alguma naturalidade que a notícia criou burburinho e virou tema mediático e o seu (complicado) legado entrou em discussão pública. A Axios ajuda a explicá-lo e o The Guardian a complementá-lo:

  • Foi Sandberg, hoje com 52 anos, quem elevou a discussão de que as mulheres deveriam ter mais reconhecimento nos seus locais de trabalho, ao lutar por benefícios como licenças remuneradas em casos de assistência à família;

  • Encorajou as mulheres lutar por cargos executivos em grandes empresas que são dominados na maioria homens (apenas 6,4% dos CEO das S&P 500 são mulheres);

  • Durante 14 anos ocupou uma posição que lhe permitia ser uma das mais poderosas executivas de uma empresa que transformou Silicon Valley (e, para todos os efeitos, o mundo);

  • Mesmo quem nunca ouviu falar do seu percurso ou tenha lido os livros sobre corporativismo feminino da agora ex-COO do Facebook, a maior probabilidade é a de que a executiva teve um impacto na vida da maioria de nós.
  • Como? Independentemente de sermos ou não um dos 2,87 mil milhões de utilizadores diários dos produtos da Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), foi sob a sua alçada que vieram as ordens para que os nossos dados sejam tão valiosos para as empresas.

Breve história do seu percurso

  • Fez parte do Departamento do Tesouro durante a administração Clinton e foi vice-presidente dos grupos de vendas e operações online da Google antes de aceitar a missão de ser Chefe de Operações do Facebook em 2008.
  • É também autora do bestseller do New York Times Faça Acontecer - Mulheres, o trabalho e a vontade de liderar, livro de 2013 que a popularizou e que virou uma espécie de “manifesto” a seguir por encorajar as mulheres a não desistirem de desenvolver o seu potencial.

Em 2010, Sandberg ajudou a moldar e a galvanizar muitas mulheres com uma Ted Talk ("Why we have too few women leaders") em que explicava a sua visão para o facto de existirem tão poucas mulheres a ocupar cargos de liderança em grandes empresas e em posições cimeiras no governo norte-americano.

Não obstante, várias são as publicações que assinalam que apesar de o seu legado ser inegável, assim como a sua luta pela igualdade de género nas empresas, este é igualmente complicado e está também marcado por várias polémicas durante os 14 anos em que foi a n.º2 da maior rede social do mundo, nomeadamente:

Polémicas que revelam falhas graves e por resolver, mas que não significam que do ponto vista estrito de negócio a passagem de Sheryl Sandberg não “venha a ser figurar nos livros de história” pela maneira como revolucionou o modelo da publicidade digital do Facebook:

  • Uma questão de perspetiva: À data da sua saída, a Meta é hoje um colosso que gerou 117 mil milhões de dólares em receitas em 2021. Em 2008, quando começou, a receita anual do Facebook era de “apenas” 200 milhões de dólares.

Crescimento e billions que ficam muito bem numa folha de Excel a apresentar a investidores, mas que acarretam muitos “ses” e “dúvidas” devido aos meios utilizados para chegar a estes fins.

  • No livro “An Ugly Truth: Inside Facebook’s Battle for Domination”, de dois jornalistas do New York Times, é dito que Sandberg “escreveu” o manual de como escalar o negócio de “data mining” (utilizar bases de dados gigantes e métodos analíticos sofisticados de modo a analisar informações e prever tendências dos utilizadores) para ganhar receitas a um ritmo mais rápido do que os custos.

O futuro. De acordo com a sua mensagem, ainda não sabe ao certo, mas adianta que para já vai concentrar-se na sua fundação e em trabalho filantrópico.

  • No entanto, isso não quer dizer que vá deixar totalmente a Meta, uma vez que vai continuar a fazer parte da administração (ainda que, segundo o Wall Street Journal, tenha saído da empresa por estar cansada de ser “o saco de pancada” de todos os problemas do Facebook).

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