Esta tecnologia permite substituir a administração oral forçada de fármacos em experimentação animal, contribuindo assim para o bem-estar dos animais testados em laboratório.

Este novo método evita outro método invasivo que “consiste em administrar medicamentos ou outras substâncias a animais através de um tubo introduzido no estômago, causando dor e stress”, refere a UC numa nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa.

Este trabalho decorreu no âmbito do projeto de investigação “HaPILLness — Voluntary oral dosing in rodents” e foi realizado no Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), com a colaboração da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) do Instituto Politécnico.

O projeto foi realizado pelos investigadores Sofia Viana, Flávio Reis e Inês Preguiça.

“Os investigadores criaram matrizes semissólidas (uma espécie de goma) capazes de incorporar os fármacos em teste e que os animais ingerem de forma voluntária e precisa”, explica a nota.

A solução já foi validada em ratos e murganhos, os dois modelos animais mais usados em laboratório.

“É uma tecnologia ‘stress free’, o que significa que minimiza o enviesamento dos resultados experimentais devido ao efeito do stress causado nos animais”, refere, citada pela UC, a coordenadora do projeto Sofia Viana.

“A outra grande vantagem é o facto de ser uma solução metabolicamente inerte, ou seja, uma tecnologia que pode ser usada num conjunto muito vasto de experiências, como, por exemplo, em doenças metabólicas, doenças do sistema nervoso central e doenças gastrointestinais, entre outras”, acrescenta.

A tecnologia foi distinguida com o prémio “3Rs Refinement Prize” da EPAA — The European Partnership for Alternative Approaches to Animal Testing, uma parceria que integra ‘stakeholders’ de diferentes áreas, tais como a Comissão Europeia, federações de saúde, ambiente e defesa dos animais, e mais de três dezenas de indústrias farmacêuticas e de cosmética.

“Não sendo possível a eliminação dos testes em animais, a alternativa passa por adotar procedimentos que aumentem o seu bem-estar, refletindo-se na melhoria da qualidade e reprodutibilidade dos resultados dos estudos”, frisam Sofia Viana e Flávio Reis.

De acordo com a nota, a próxima fase da investigação passa por validar a tecnologia em modelos de doença, “nomeadamente doenças metabólicas, degenerativas (do sistema nervoso central) e gastrointestinais”.

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