Para quem está em teletrabalho, as reuniões no Zoom ou noutras plataformas semelhantes já se tornaram uma realidade diária. Ao que avança este artigo do Inc., estima-se que, em média, os diretores de empresas, passem cerca de 23 horas por semana em reuniões. Agora imaginemos este tempo multiplicado pelas suas equipas e, claro, online. Vários tem sido os relatos de "zoom fatigue", o termo associado ao cansaço extra que trabalhadores sentem por passarem várias horas do seu diante de um computador ora a trabalhar ora a reunir com colegas ou clientes.

Poque é que isto acontece? Um estudo da Universidade de Stanford, o primeiro a desconstruir este tema, chegou a algumas conclusões. O professor Jeremy Bailenson examinou as consequências de passar horas e horas nestas plataformas e encontrou quatro motivos para o desgaste psicológico.

1 - O contacto visual demasiado intenso

Parece que o facto de todos olharem para todos ao mesmo tempo não ajuda ao descanso. Mesmo que não falemos, a nossa imagem está sempre a aparecer no ecrã dos outros intervenientes e a ansiedade social de falar em público é uma fobia para muitos.

Solução: reduzir o tamanho de tela inteiro e da janela de Zoom, e usar um teclado externo para aumentar a distância do computador.

2 - Nem sequer nos aturamos a nós próprios

Uma videochamada começa normalmente com um grupo de pessoas a ajeitar o cabelo e a ver se estão no seu melhor. Mas, segundo o autor deste estudo, isso não é natural. O académico Jeremy Bailenson compara a sensação de vermos o nosso rosto a toda a hora à de termos alguém a seguir-nos constantemente com um espelho. Desconfortável, não é?

Solução: Clicar na opção "hide self-view", clicando no botão direito do rato em cima da nossa própria foto. Afinal de contas, não precisamos de nos ver, pois também não nos vemos numa conversa normal do dia a dia.

3 - Sentimo-nos amarrados à cadeira

Durante uma conversa telefónica temos toda a mobilidade. Mas com a necessidade de mostrar a cara (e de vestir uma roupa apresentável), os nossos movimentos ficam limitados. O estudo revela que quando nos mexemos aumentamos o nosso desempenho cognitivo. Já todos tivemos chamadas telefónicas em que passeámos por toda a casa, certo?

Solução: Se possível, usar algum material extra, em relação ao computador onde está a ser transmitida a chamada. Material como uma câmara ou um teclado. Assim é possível ter mais mobilidade e não estar colado ao computador. Na maioria das empresas, desligar a câmara por uns momentos também é bem aceite.

4 - Puxamos os neurónios a ferros

Em chats de vídeo, aumenta a nossa carga cognitiva. Na interação presencial cara a cara, a interpretação de gestos e sinais não verbais subconscientes é bastante natural. O mesmo não acontece numa videochamada, onde aumenta o número de "calorias mentais" gastas. Por exemplo: não basta assentirmos com a cabeça para mostrar concordância com algo, é preciso garantir que de facto se vê totalmente a nossa cabeça.

Solução: Fazer uma pausa curta, desativando a câmara, para, diz o autor deste estudo "durante alguns minutos não ser sufocado por gestos que são percetivamente realistas, mas socialmente sem sentido".

O futuro das videochamadas

Com o arrastar do teletrabalho e das aulas online, que há um ano parecia algo que ia durar apenas alguns meses, a plataforma Zoom tem tido um crescimento a olhos vistos. Como se lê neste artigo da BBC, o dono da Zoom, Eric Yuan, afima que o conceito de trabalhar em casa veio para ficar. Em 2020, as vendas da empresa de videoconferência aumentaram 40%, ultrapassando os 3,7 mil milhões de dólares (3,06 mil milhões de euros), e as suas ações cresceram 425%.

Resta agora saber como é que as empresas se vão comportar à medida que mais e mais gente for sendo vacinada e as medidas de segurança forem aliviadas. As videochamadas não deixarão de fazer parte da rotina e continuarão provavelmente a ser mais regulares do que a vertente física. No caso do Zoom, o seu negócio tem tudo para continuar a crescer. Nos últimos três meses de 2020, as vendas da plataforma aumentaram em 370% em comparação com o mesmo período de 2019, atingindo cerca de 882,5 milhões de dólares (730,8 milhões de euros).

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