Vamos começar por fazer um throwback. Há 10 anos era quase impossível ligar a rádio ou a televisão num canal de música e não apanhar uma “We Found Love” ou uma “Where Have You Been”. Com sorte, se a vibe fosse mais nostálgica, até passava uma “Umbrellla”, uma das músicas mais conhecidas de Rihanna. Em 2012, foi a artista com mais músicas no top 100 anual da Billboard — foram seis, no total — e ainda há quem diga que essa não foi a sua Época de Ouro. Mas para percebermos o fenómeno Rihanna, que continua vivo depois de uma pausa de quase sete anos, é melhor começarmos pelo princípio.

A cantora dos Barbados deu os primeiros passos na música por volta de 2004 e Jay-Z foi um dos responsáveis por ver o seu talento desde cedo e pelo seu contrato com a produtora Def Jam Recordings. O seu primeiro single oficial foi “Pon de Replay” (2005) e já na altura se suspeitava o sucesso que aí vinha. Uns meses depois, demos as boas-vindas ao primeiro álbum, “Music of The Sun”, e, em 2006, chegou o segundo. “A Girl Like Me” (2006) foi o álbum de “SOS” e “We Ride”, músicas que levam uma miúda como eu de volta aos anos 2000, à altura em que eu folheava revistas Bravo, colecionava posters e fazia os quizzes de correspondência amorosa.

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Depois seguiu “Good Girl Gone Bad” (2008), que apresentou músicas que ainda hoje ouvimos. É o caso da já mencionada “Umbrella”, “Take a Bow”, “Shut Up and Drive” e “Don’t Stop The Music”. Em 2009, com uma vibe diferente e menos músicas de sucesso — destacam-se “Rude Boy” e “Te Amo” —, veio “Rated R”, e entretanto vieram colaborações com outros artistas de sucesso que também nos deram temas icónicos. É o caso de “Love The Way You Lie” com o Eminem, “All of The Lights” com Kanye West, e “Fly” com Nicki Minaj.

Neste ponto da sua carreira, já estava definido que Rihanna era um dos grandes nomes da música e da cultura pop e, muitas das vezes, é aqui que as coisas começam a correr para o torto. Mas não foi o caso, a 'badgalriri' ainda tinha muitos trunfos guardados na manga. Foi o caso de “Loud” (2010), álbum em que quase todas as músicas foram bangers. “What’s My Name?”, “S&M”, “Only Girl (In The World)”, “California King Bed”, “Man Down”... Preciso de acrescentar mais alguma coisa para te recordar o quão bom este álbum é?!

Estávamos a receber novas músicas de Rihanna de ano para ano, éramos felizes e nem sabíamos. Em 2011, seguiu-se o sexto álbum, “Talk That Talk” (“You Da One” e “We Found Love”), e em 2012 veio “Unapologetic” (aquele que nos fez chorar ao som de “Diamonds” e “Stay”). Tivemos direito a mais umas colaborações: o caso de “The Monster”, novamente com Eminem; “Can’t Remember To Forget You”, em dupla sedutora com Shakira; e em 2015, fez uma colaboração surpreendente com Kanye West e Paul McCartney na música “FourFiveSeconds”.

Quando ouvimos “Anti” pela primeira vez, em 2016, ninguém desconfiava que seriam estes os últimos sinais de Riri no mundo da música. O álbum deu-nos “Kiss It Better”, “Work”, “Bitch Better Have My Money”, “Love On The Brain”, “Needed Me” e marcou o início de uma pausa na produção de álbuns que dura há quase sete anos. O anúncio só foi feito em 2019 (sem data para o fim definida) e entretanto a artista dedicou-se à sua marca de maquilhagem Fenty Beauty, à sua linha de lingerie SAVAGE X FENTY e a uns quantos outros projetos. Ainda assim, não saiu debaixo dos holofotes e continuou a ser um nome muito falado na cultura pop por vários motivos: a relação abusiva com Chris Brown na qual foi vítima de violência doméstica (tema que, volta e meia, é novamente falado), o mais recente relacionamento com o rapper ASAP Rocky, e a sua gravidez, que foi acolhida pela Internet como se fosse um filho da cultura pop.

Mas depois deste longo texto sobre a discografia da Rihanna — nota-se muito que sou mega fã?! — vamos ao tema que nos trouxe até aqui. Rihanna anunciou no passado domingo, dia 25 de setembro, através de um post no seu Instagram, que vai ser a responsável pelo mítico Halftime Show do Super Bowl 2023, que vai acontecer dia 12 de fevereiro de 2023.

Se não sabes do que se trata, de forma muito resumida, o Super Bowl é o evento anual de futebol americano mais importante. Para além do habitual jogo, onde duas equipas se enfrentam, é conhecido pelas performances no intervalo, que ajuda a atrair até aqueles que pouco ou nada percebem de futebol americano. Por isso, há muitos anos que deixou de ser apenas um evento que acontece nos Estados Unidos e só para os norte-americanos (e aqui, claro que a Internet e o universo do streaming ajudaram).

Apesar de o intervalo ser conhecido como o momento de pausa em qualquer que seja o jogo, foi nos anos 90 que este momento começou a ser aproveitado para atrair atenções naquele que é o evento televisivo mais assistido do outro lado do Atlântico. Para além dos conhecidos anúncios do Super Bowl, onde as marcas se esmeram especialmente para o evento, há também uma performance de 15 minutos que é anualmente atribuída a um ou mais artistas, a quem cabe a função de preparar uma exibição épica. De Michael Jackson, Tony Benett e The Rolling Stones a Madonna, Lady Gaga e Beyoncé, já foram muitos os artistas que pisaram este palco. Alguns foram realmente bons, outros nem tanto. Mas não dá para negar a expectativa que é criada à volta desta atuação.

Depois de, este ano, Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige, Kendrick Lamar, 50 Cent e Anderson .Paak se terem juntado no SoFi Stadium (na Califórnia) para uma performance em conjunto, já se especulava que seria o próximo. Falava-se de Pink ou de Taylor Swift (mas os rumores dizem que a própria recusou), mas o nome que acabou por ser revelado surpreendeu. Uma simples fotografia de uma bola americano bastou para nos fazer pensar em todos os temas icónicos que queremos que Rihanna coloque na setlist do Super Bowl 2023.

E porque é que isto é tão relevante? Ora, como já expliquei, há um fator nostálgico que associo a Rihanna. Desde muito nova que me lembro de ouvir as suas músicas — aliás, desconfio que ainda devo ter lá por casa uma edição do “NOW15”, onde ouvi a “Unfaithfull” em repeat — e a verdade é que, na altura em  que comecei a ter capacidade de as apreciar, ela parou de as fazer. Ao longo do tempo, surgiram várias vezes sinais de que podiam vir aí trabalhos novos, mas sem novidades confirmadas até ao momento. O Super Bowl é uma luz ao fundo do túnel, uma sinal de que pode mesmo estar para breve.

Pelos cantinhos da Internet, conspira-se sobre o que aí virá (e há memes, obviamente). Na pior das hipóteses, dia 12 de fevereiro estamos todos colados a um ecrã a assistir a um espetáculo nostálgico que nos vai levar de volta aos anos 2000.

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