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A crise de meia idade que todos tememos

No meio da minha exploração pela Netflix, e depois de algum tempo a lutar contra a tentação de ceder à pressão de dar apenas play nos conteúdos mais vistos, lá dei uma oportunidade à série que há algumas semanas não sai das tendências - “Sex/Life”. Para começar, acho que o título, que parece ter alguma falta de esforço e criatividade, resulta para chamar a atenção. Esta não me parece ser uma série misteriosa que procura atrair quem se sinta intrigado com a temática. Pelo contrário, é bastante auto-explicativa, e, se esperavam entrar na intimidade profunda das personagens, com corpos despidos, planos detalhados e música ambiente apropriada, quase como se de um soft porn se tratasse, é precisamente isso que vão ter.

Mas nada disto invalida que haja algum fator de entretenimento no enredo. No centro da história temos Billie, uma mulher que está a passar por uma crise de meia idade. Por um lado, tem uma família de sonho, um marido perfeito que se preocupa em conseguir sustentar todo o lar e uma rotina estável e invejável. Por outro, tem uma melhor amiga com um estilo de vida completamente diferente, que passa as noites em discotecas, que todos os dias lhe fala de um novo parceiro, e que a faz lembrar dos seus tempos áureos de noites de paixão com um ex-namorado. Tudo isto faz com que Billie enfrente uma crise influenciada por uma frustração sexual que a leva a arriscar toda a sua estabilidade.

A série é uma adaptação original da Netflix baseada no livro ”44 Chapters About 4 Men” (um daqueles que se lê por guilty pleasure na praia, por exemplo) e, ainda que não seja incrível, vai entreter-te o suficiente para que queiras continuar a ver. Billie documenta toda a sua jornada por escrito, com voiceovers um pouco sinistros que nos levam a pensar “Será que isto é só mesmo uma crise de meia idade ou no final há alguém que vai acabar morto?”. A resposta… Bom, o melhor é descobrires por ti mesmo.

  • Por falar em guilty pleasures, parece que todos têm este tipo de temática e vários pontos em comum: uma mulher sexualmente frustrada, um homem rico e poderoso capaz de virar a sua vida do avesso, um retrato da rotina e da estabilidade como algo mau, uma romantização da wild life…  Faz-vos lembrar alguma coisa?

Entre médicos e drug dealers

“Desde 2000, mais de 500 000 americanos morreram de overdose.”
“A cada 25 minutos, nasce um bebé com privação de opiáceos.”
“O governo dos EUA estima que o custo do abuso de opiáceos é superior a mil milhões de dólares.”

Os primeiros minutos da próxima série de que te vou falar começam com números assustadores, mas as histórias que se seguem não se inserem num panorama muito mais animador.

O início da história dos narcóticos leva-nos algures para o Antigo Egipto, para a época de Tuntancámon. Estima-se que nessa altura se tenham começado a cultivar grandes campos de droga. Depois, como muitas outras coisas ao longo da história, foram-se espalhando um pouco por todo o mundo. Inicialmente, eram utilizados para tratar a dor, o que, hoje em dia, também pode ser uma justificação válida para quem consome vários tipos de estupefacientes.

Mas a história e a medicina trataram de nos provar que há mais perigos do que vantagens e que as adições são um problema difícil de combater. Ao longo dos tempos, os narcóticos foram ganhando novas formas e utilidades e essa evolução está contada ao detalhe na série documental “The Crime of The Century”. Dos bebés que eram drogados por falta de apoio às mães durante a Revolução Industrial, aos cartéis e máfias da droga, sem esquecer os comprimidos criados em laboratório e receitados por médicos como tratamentos.

A série é composta por dois episódios de quase duas horas cada, onde especialistas e historiadores vão traçar o caminho e analisar todos os passos à escala mundial que fizeram com que os Estados Unidos chegassem a uma crise de opióides, que começou pela procura de uma cura para a dor. Mais do que um conteúdo de entretenimento, é uma wake up call para todos aqueles que, tal como eu, pouco ou nada conheciam sobre o tema.

  • Onde ver: A série é um original da HBO e está disponível na plataforma de streaming em Portugal. Vê aqui o trailer.

  • Ainda sobre o tema: Há uns tempos, o Quartz lançou um vídeo que, intercalado com a série que te recomendei, nos explica porque é que esta crise ultrapassa as barreiras do Atlântico. Espreita aqui.

Créditos Finais

  • Já ouviste o último episódio do podcast? Podes ficar a saber tudo sobre o movimento #FreeBritney e sobre o drama à volta da carreira da “princesa da pop”. Espreita aqui.
  • Há mais felicidade: A semana passada estreou “Clube da Felicidade”, a nova série de Carlos Coutinho Vilhena. Podes ouvir o episódio do nosso podcast sobre o tema, no qual falámos com o comediante, e ainda dar uma vista de olhos por cenas extra como esta.
  • O que ando a ouvir: Um pouco previsível, mas o álbum “Planet Her” da Doja Cat não tem parado de estar em modo replay.

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