Calcutá (Teresa Castro) considera que “faz sentido e é uma necessidade” falar-se em "música no feminino”, embora discorde “da ideia de porem as mulheres só num dia, em vez de as misturarem com os rapazes”.

“Deixa-me a pensar se haverá necessidade disso ou o que isso quer dizer”, disse, em declarações à agência Lusa, momentos após ter atuado no Coreto.

Já para Mai Kino (Catarina Moreno), “faz sentido falar-se da música em qualquer género, portanto também no feminino”.

Para a artista portuguesa, a viver há uma década em Londres, é “bom haver cada vez mais destaque nesse sentido, mais apoio”, afirmou em declarações à Lusa, horas antes de subir ao Coreto, onde atua às 22:50.

Fábia Maia considera que só faz sentido falar em música no feminino e dedicar-lhe um dia em exclusivo num palco “para ver o que género pode dar à música portuguesa”.

As três têm em comum o facto de serem mulheres, portuguesas e de atuarem hoje no Coreto, ainda sem álbum de estreia editado.

Fábia Maia faz rap, Calcutá (Teresa Castro) música “western dreamy” e Mai Kino (Catarina Moreno) eletrónica.

Fábia começou por “fazer 'covers' de rap nacional”, que partilhava na internet através do YouTube. “Fiz uma coisa mais melódica, cantava com uma guitarra, peguei em letras de Allen Haloween, Regula e Valete e fiz a coisa à minha maneira”, recordou.

No início deste ano, lançou dois originais – “Benção” e “Lugar” – e, em setembro, chega o EP, “para depois conseguir fazer uma coisa mais sólida para um álbum”.

Calcutá que faz música “western dreamy”, como batizou uma amiga, “à base de guitarras”, editou o EP de estreia em maio.

“Gosto de fazer melodias com a guitarra e fazer a mesma melodia com a voz e criar harmonias e mais recentemente pus bateria, uns ritmos marcados e persistentes. Toco ‘finger picking’ [uma técnica usada para tocar guitarra]. São várias coisas. Têm que ouvir no meu ‘bandcamp’”, descreveu.

A música de Mai Kino insere-se no campo da eletrónica. “É difícil ser eu a definir, mas a maneira como eu escrevo as canções é de forma que, se tirasse a produção, ainda eram canções que podia tocar na guitarra. Ou seja, são bastante ‘soulful’ [emotivas], música bastante etérea, bastante espiritual, que eleva”, referiu.

Em início de carreira, as três assumiram a surpresa de serem convidadas para atuarem num festival de grandes dimensões.

Para Calcutá, que já esteve em festivais de verão com a sua banda, os Mighty Sands, atuar a solo no Nos Alive “é um passo muito grande”. “Com este projeto nunca pensei, não estava nada à espera”, confessou.

Com a atuação, acredita, “cria-se um monte de possibilidades”. “Existe sempre alguém que vê e que gosta e que quer partilhar ou conhecer melhor. Há pessoas que tocam em festivais e conhecem editoras e pessoal estrangeiro, que gosta e que quer lançar”, afirmou.

Fábia Maia sentiu “uma alegria enorme” quando lhe fizeram o convite. “Não dormi durante uma semana e estar aqui, seja em que palco for, tem uma importância enorme na carreira de qualquer artista”, partilhou.

A alegria é partilhada por Mai Kino, para quem o Nos Alive é “um dos festivais preferidos”. “Já moro em Inglaterra há muitos anos, só comecei a dar concertos em Portugal este ano e muito rapidamente estou a tocar aqui”, disse.

Apesar de ainda não ter “um plano concreto nem uma data”, o disco de estreia está nos planos de Mai Kino. “Estou a trabalhar nesse sentido, a compor músicas novas”, adiantou.

O palco Coreto é um dos sete que compõem o recinto do festival, que decorre até sábado, no Passeio Marítimo de Algés, e tem lotação esgotada.

Hoje, ainda atuam bandas e artistas como The Kills, Foo Fighters, Wild Beasts, Local Natives, Parov Stellar, Pega Monstro, Modernos ou Bispo.

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