“Cristina Ataíde: Dar corpo ao vazio” é o título desta mostra com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, materializada num percurso articulado em cinco salas do museu, onde ficará patente até 14 de março de 2021, de acordo com a organização.

A produção artística de Cristina Ataíde “revela uma sede de experimentação e um fascínio pela descoberta que, entre outros, se ancora no impulso da viagem, na procura por outros sistemas de pensamento, e numa busca pela expressão da matéria”, refere um texto da curadoria sobre a exposição.

Nas mostras da artista, nascida em Viseu, em 1951, as grandes instalações e o ‘site-specific’ (obras criadas para lugares específicos) são parte importante do seu trabalho, no qual as preocupações com a natureza e a sua preservação são uma constante.

Deste modo, “é frequente perceber que as obras surgem associadas à experiência dos diferentes locais e momentos que a artista deseja apreender, assim como à vivência de uma espiritualidade partilhada com os objetos e entidades com que se cruza”, adianta o texto.

Partindo desse princípio, esta exposição apresenta um conjunto de obras que abarcam diferentes períodos e meios de produção, encadeando-se entre si sem formular um olhar cronológico ou retrospetivo, procurando dar a ver como uma teia de relações que cruza referências transversais à produção da artista.

No percurso, são evidenciadas “as ligações do indivíduo ao meio, num diálogo entre a geografia e a cultura, a conexão da viagem com o conhecimento, numa articulação entre a descoberta e a identidade, e a problematização entre o espírito e a matéria, numa graduação dos vários estados de existência”, acrescenta o texto de apresentação da mostra.

Explorando a ideia de preâmbulo e síntese, a exposição inicia-se no átrio principal do edifício, onde se apresenta uma única obra que guia a atenção para a sequência no piso inferior do museu.

Na primeira sala da galeria vão estar dispostas várias peças que “invocam a densidade da matéria, com desenhos que evocam o imaginário da montanha”, da água, e um conjunto de obras que funcionam num esquema de ligações diagonais, que dão o mote às salas seguintes.

Na segunda sala, é apresentado um conjunto de obras apoiadas nas referências da lagoa e da árvore, “invocando a expressão do trilho de veios, nós e cavidades que as habitam”, enquanto na terceira sala surge um conjunto de vídeos onde, pela imagem em movimento, “se celebra a transitoriedade dos elementos, e a delicadeza da sua perceção”.

A artista explorou, em várias obras, o modo como o indivíduo se relaciona com o meio, “e na maneira como a perceção se manifesta de forma diáfana, e transitória”, sobrepondo imagens a manchas de cor que trabalham a luz como matéria plástica, e escultórica.

A quarta sala foi pensada em torno de uma instalação composta por um barco de madeira que se apresenta suspenso, um elemento que “alude simultaneamente à deslocação exterior sobre as águas, e ao movimento interior do espírito”, explica o texto.

A quinta e última sala apresenta um conjunto de imagens fotográficas de grande dimensão, que captam o reflexo do mundo exterior, e o espelham na superfície da água em movimento.

Cristina Ataíde é licenciada em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde vive e trabalha, e expõe com regularidade desde 1984, tendo já trabalhado com criadores como Anish Kapoor, Michelangelo Pistolleto, Keith Sonnier e Matt Mullican.

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