Sanlucar de Barrameda, localidade andaluz da província de Cádis, foi de onde Fernão de Magalhães saiu com a frota em direção às ilhas Molucas, por oeste, a 20 se setembro de 1519, e onde apenas regressou espanhol Juan Sebastian Elcano e cerca de duas dezenas de marinheiros, quase três anos depois, a 06 de setembro de 1522, após a morte do navegante português num conflito com tribos nas atuais Filipinas.

O mercado do século XVI abriu às 10:00 locais (uma hora menos em Lisboa) e foi a primeira de várias iniciativas que vão hoje assinalar a data de arranque da primeira viagem de navegação à volta do mundo, em Sanlucar de Barrameda, onde os visitantes podem encontrar bancas de peixe, carne, vinho, entre outros produtos, e habitantes e atores a representarem os principais protagonistas dessa gesta, como o próprio navegador português Fernão de Magalhães.

“Sou Fernão de Magalhães, fidalgo português e experiente navegante, que navegará sob bandeira de Peanha por uma nova rota para a ilha das especiarias”, afirmou o “navegador português”, sem sair do papel, em declarações à Lusa.

A mesma fonte garantiu estar “tudo preparado” para, “hoje, 20 de setembro de 1519″, a expedição partir “por uma nova rota para ocidente” para “alcançar as especiarias, a noz moscada, o carinho, a canela e o açafrão”.

“E reparem qual é o prémio: um pequeno saco de pimenta, bem podia valer o salário de um homem durante toda a sua vida”, acrescentou.

Questionado sobre a importância deste dia para Sanlucar de Barrameda, o ator respondeu que sim, mas frisou que é importante “para a cidade, para Portugal, para Espanha, porque esta gesta e o que fizeram esses homens podia-se comparar com a ida à lua”.

“Reparem que se pensava que a terra era plana, embora Magalhães tenha estado na corte portuguesa e tinha documentos cartográficos que lhe permitiam já saber que a terra era redonda”, disse, sublinhando que esta expedição, “sem procurá-lo, deu a primeira volta ao mundo” e os homens que nela participaram “passaram por privações” e a “forma como morreram e sofreram, é um orgulho para Espanha e Portugal.

Para o vendedor de carne do mercado e vendedora de vinho José António Blanco, as iniciativas de hoje são positivas, mas “faz falta muito mais”.

Dori Flores, vendedora de vinho no mercado do século XVI, disse à Lusa que trazia para a expedição “manzanilla de Sanlucar e o vinagre de Jerez” e também considerou que a data de hoje “é muito importante e deveria ser mais aproveitada”.

“Hoje está bem, mas deviam dar mais importância” a estas data histórica, considerou.

Antes, pelas 09:45, uma réplica da nau Vitória saiu da foz do rio Gadalquivir e rumou a alto mar para se encontrar com uma fragata da armada espanhola e depositar uma coroa de flores numa boia, mas que não pode ser vista desde a marginal da localidade, situada na foz do rio.

Durante a tarde, está prevista uma recriação do embarque na nau vitória, às 19:00 locais, e uma cerimónia de apresentação de uma moeda comemorativa do V Centenário da Circum-navegação.

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