Uma proposta na qual o encenador, que concebeu e dirige o espetáculo, pretende partilhar com o público um “encontro entre o teatro, enquanto expressão de teatralidade a arquitetura do edifício”, numa espécie de “humanização” do espaço, “trespassando as paredes” do D. Maria II, acrescentou o próprio à agência Lusa.

Iniciada na bilheteira, a peça consiste numa viagem de uma hora e um quarto pelo edifício do teatro nacional, em que o público é levado a percorrer vários espaços, que o encenador não revela “para prolongar o mistério”, numa travessia que “não é uma visita guiada”, sublinhou.

“Vamos levar o público numa viagem sensorial a vários espaços do teatro, como se estivéssemos a olhar para uma escultura, de vários ângulos, e para que o teatro seja revelado também como aquilo que ele pode ser aos olhos de cada espetador”, observou Gustavo Ciríaco, a propósito do espetáculo integrado na programação do festival Alkantara.

Dos 17 atores previstos para servirem de guias nesta viagem, que pretende dar expressão ao étimo grego da palavra teatro (‘théatreon’), como um lugar de onde se vê algo, onde algo acontece, apenas 16 a conduzirão, já que João Grosso esteve em todo o processo de criação, mas não a interpretará por motivos de saúde, referiu o encenador.

Uma passagem de luz, um som, uma expressão facial, um quadro ou até mesmo funcionários do teatro servem de pretexto neste percurso itinerante, em que o espetador é convidado a ver e a imaginar mentalmente o seu próprio teatro, em deambulação, frisou o encenador que regressa ao Alkantara, 13 anos depois de se ter estreado no festival, sublinhou à Lusa.

Inspirado nas esculturas relacionais dos minimalistas que convocam à interação, esta é também uma viagem durante a qual o encenador provoca o espetador através de diversos elementos que conferem teatralidade ao espaço cénico.

Com conceção e direção artística de Gustavo Ciríaco, a peça tem dramaturgia e assistência de encenação de Catalina Lescano, encenadora argentina e diretora do festival Arqueologias do Futuro que já é hábito trabalhar com Gustavo Ciríaco, encenador e ator brasileiro residente em Portugal há sete anos.

Além de Gustavo Ciríaco, a representar esta peça ‘site-specific’ vão estar quatro atores da equipa do ator/encenador: Ana Trincão, Rodrigo Andreolli, Sara Zita Correia e Tiago Barbosa. Há ainda uma participação especial do cantor Paulo Gomes.

Do elenco fixo do D. Maria II participam José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho e Paula Mora.

A peça conta ainda com interpretação de seis estagiários da Escola Superior de Teatro e Cinema: André Loubet, Diana Narciso, Gonçalo Egito, João Estima, Rita Delgado e Sara Inês Gigante.

Segundo Gustavo Ciríaco, todos os atores colaboraram no processo de construção da peça, cuja cenografia é de Sara Vieira Marques.

Com desenho de som e de luz de Bruno Humberto e Tomás Ribas, respetivamente, “Cortados por todos os lados, aberto por todos os cantos” é uma coprodução do D. Maria II e do Alkantara Festival e o projeto 23 Milhas, de Ílhavo, e o Walk&Talk – Festival das Artes, dos Açores.

O espetáculo contou ainda com o apoio à residência do Teatro Micaelense, onde será representado nos dias 29 e 30 de junho, inserido na programação do Walk&Talk.

Além dos Açores, a peça deverá também ser representada no Brasil, em local ainda a definir, concluiu Gustavo Ciríaco.

No D. Maria II, além da estreia, na terça-feira, a peça tem representação na quarta e na quinta-feira, às 19:00.

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