Acordei nu na praia, em Ibiza, em 1988...
LCD Soundsystem, 'Losing My Edge'

Sexo. Drogas. Rock n' roll. Rock n' roll? Sim, rock n' roll, mas não a versão estereotipada que temos desse mesmo género musical: guitarras a ranger, baterias destrutivas e homens gadelhudos a berrar impercetíveis palavras de ordem. Rock n' roll no seu sentido figurado, de atitude, de rebeldia. No seu sentido libertário. De pertença, ou de fuga.

É este o rock n' roll que encontramos em “White Lines”, série estreada na Netflix há pouco mais de uma semana e que tem gerado algum burburinho no maior baluarte de opiniões nos dias que correm, as redes sociais. À hora a que se escreve este texto, “White Lines” ocupa o primeiro lugar das preferências dos utilizadores portugueses naquela plataforma de streaming. As críticas sucedem-se, das positivas às mais negativas, sendo que prevalecem quiçá estas últimas no reduto da “crítica especializada”.

Há, de facto, algumas coisas ruins a apontar a “White Lines”, mas não é disso que este artigo se trata. Não é o enredo, os diálogos ou a prestação de Nuno Lopes (aquilo que, regra geral, se tem safado por entre os pingos da chuva ou da maledicência) o que importa, mas sim a música. Sem ela, “White Lines” não existiria. E – arrisquemos também dizê-lo – sem ela a própria Ibiza, onde a ação decorre, também não existiria.

Tentemos resumir a série sem spoilar o caro leitor. Há 20 anos, um famosíssimo DJ desapareceu sem deixar rasto. A descoberta do seu corpo, no inóspito deserto de Tabernas, na província espanhola de Almería, leva a sua irmã a viajar até Ibiza, onde o DJ em questão havia criado fama e nome após emigrar para lá, a partir da sua nativa Manchester. Durante dez episódios, pejados de sexo (lá está), drogas (pois claro) e música eletrónica (o rock n' roll segundo as máquinas), o espetador é levado de revelação em revelação até ao clímax final, quando o/a assassino/a (não referimos o género precisamente para evitar spoilers) confessa o crime e os motivos que o/a levaram a cometê-lo.

Isto é “White Lines”, e isto também é Ibiza. Não a parte do homicídio, claro. Mas a do sexo, a das drogas e a da música está inscrita de forma indelével na ilha. Para quem não liga um tostão furado que seja à música eletrónica em todas as suas vertentes ou à cultura clubbing, Ibiza é apenas um destino de férias porreiro onde levar os filhos e passar um bom bocado a mergulhar em águas límpidas e mediterrânicas sob um sol aprazível. Para quem vê no 4/4 do house e do techno um estilo de vida... Bem, Ibiza é uma Meca, tão grande como uma Meca o pode ser, rivalizando em estatuto, na história da eletrónica, com colossos como Detroit, Berlim ou Goa.

Não é inocente que a Alex, o DJ assassinado, tenha sido conferida uma nacionalidade mancuniana (do inglês mancunian, natural de Manchester, aportuguesando-se sem vergonha a palavra por não existir equivalente na nossa língua). Manchester e Ibiza andaram de mãos dadas durante boa parte dos anos 80 e início dos anos 90, e será seguro dizer que uma complementou a outra e vice-versa. Manchester bebeu de Ibiza e tornou-se Madchester; Ibiza bebeu de Madchester e tornou-se num destino obrigatório para milhares de jovens com algum dinheiro no bolso e um brilho rebelde nos olhos, à procura daquele frémito, daquela emoção, da noite e do beat perfeitos.

Onde o rock relata uma experiência (autobiográfica ou imaginária), a rave constrói uma experiência
Simon Reynolds, “Energy Flash”

Muito antes de uma juventude ruidosamente britânica ter descoberto Ibiza, já a ilha era vista como uma terra mística, insondável, terapêutica. Localizada a 150km de Valência, é uma das ilhas que formam o grupo das Baleares, dona de um clima que raramente baixa dos 11 graus centígrados e Património Mundial da UNESCO. Junte-se a isso a sua beleza natural e o seu – relativo – isolamento e estão criadas as condições para que poetas, músicos, artistas e boémios de todas as espécies encontrem ali o seu refúgio de continentes assolados pela urbe e pela indústria.

Nos anos 30, 40 ou 50 do século passado já eram muitos os que assentavam arraiais em Ibiza, felizes não só com a paisagem, mas também com a liberdade de que gozavam na ilha, apesar de estarmos a falar de um território espanhol que durante largos anos viveu sob a égide do regime franquista. Tão perto e porém tão longe da Guerra Civil Espanhola e do fascismo, o nome deste destino foi passando de boca rebelde em boca rebelde até que, nos anos 60, ali aterrou uma classe que a esse sentimento selvagem aliava o pacifismo: os hippies. Também não é inocente que uma das personagens de “White Lines”, amiga de Alex, seja um hippie...

Atraídos pela natureza, pelo calor e pela atitude descontraída dos habitantes da ilha, os hippies criaram comunas em Ibiza, alimentaram mercados de rua, planearam happenings culturais. A ideia prevalente de liberdade era aliada à de magia, coisa sempre difícil de definir a não ser que nos encontremos corporeamente num determinado Shambala. A estes nómadas depressa se juntariam muitos outros, especialmente os que no coração guardavam uma identidade contracultural. Gravaram-se filmes em Ibiza: o mais sonante será “More”, filme carregado de sexo, de drogas (está a tornar-se repetitivo, não está?) e do rock n' roll de uns tais Pink Floyd, que fizeram a banda-sonora. Uma das canções desse compêndio psicadélico tem como título 'Ibiza Bar'...

Claro que Ibiza poderia ter-se tornado num ponto maior que o mapa caso tivesse para sempre pertencido ao cinema ou aos Pink Floyd. Mas quis o Destino, o Grande Deus Musical, que fossem os bares e as discotecas a criar o clima necessário à sua elevação cósmica. O primeiro grande “superclube” de Ibiza, o Pacha (nome que os habitantes de Fão tão bem conhecem), foi erguido em 1973; seguiram-se o Amnesia e o Ku (hoje Privilege Ibiza), em 1976 e 1979, respetivamente. Criados para dar palco aos artistas e à música de então (que não era eletrónica, pois o house e o techno ainda não existiam e ninguém no seu perfeito juízo dança Karlheinz Stockhausen ou Iannis Xenakis), foi nos anos 80 que alcançaram o estatuto icónico que ainda hoje ostentam.

créditos: JAIME REINA / AFP

Alcançaram-no, com uma pequena ajuda dos seus amigos, sobretudo dos famosos e endinheirados. Personalidades de topo, de todas as idades, visitaram a ilha e as suas discotecas e geraram o glamour e luxúria necessários, a base de qualquer trabalho de publicidade. Começou a criar-se uma certa ideia de hedonismo, de que tudo em Ibiza é permitido e o que por lá se passa fica por lá – como uma Las Vegas onde a roleta é uma pista de dança.

Nada se compara a Ibiza. Este é O sítio
Paul Oakenfold

Se «dançar é como uma religião», como é proferido a dada altura em “White Lines”, é necessário encontrar um pastor. No caso, um DJ. Ou vários. Muitos foram os que beatificaram as pistas de Ibiza, mas para a conexão da sua história com a de Manchester contam sobretudo dois. O primeiro, Alfredo Fiorillo, não era nem espanhol nem britânico: era um cidadão do mundo, nascido na Argentina, ex-jornalista tornado melómano. Sendo que “melómano” é a palavra certa.

Nos anos 80, DJ Alfredo foi um dos principais impulsionadores das noites do Amnesia (onde tinha uma residência) e daquilo a que mais tarde se veio a descrever como Balearic beat, coisa que, mais que ser um subgénero musical (ainda que também o possa ser), distinguia a sua abordagem aos pratos e aos discos. Em “Energy Flash”, livro sobre a história da música eletrónica e da cultura clubbing, Simon Reynolds descreve o estilo “Balear” como «uma revolta contra códigos estilísticos e contra a tirania do gosto que, à altura, sufocava os clubes de Londres».

Melómano, cidadão, DJ, para Alfredo não existiam fronteiras: os Woodentops, queridinhos do indie de então, encontravam o mesmo espaço no alinhamento que os U2, os Waterboys, o house que começava a chegar de Nova Iorque e uma ou outra bizarria, numa mistura coesa, eclética e apartidária. Traduzido por miúdos: qualquer coisa que fizesse menear a anca não era posta de parte, independentemente de onde viesse.

Isto chamou a atenção de muitos, em especial de Paul Oakenfold, DJ londrino que celebrou o seu 26º aniversário em Ibiza, no verão de 1987, na companhia de alguns amigos (também eles DJs). Impressionado com o ecletismo da “cena Balear”, e também com o Ecstasy então emergente, Oakenfold procurou levar o que viu na ilha para o seu país, com sucesso: tornou-se numa das mais relevantes figuras da cena acid house britânica de finais dos anos 80 e da cena rave da década de 90.

E que tem tudo isto a ver com Manchester? Bem, Oakenfold foi um catalisador: as noites “Spectrum”, na discoteca londrina Heaven, onde o acid house (que foi inventado em Chicago, quando DJs e produtores despertaram para as possibilidades do sintetizador Roland TB-303) dominava tornaram-se lendárias. Um dos seus parceiros naquelas noites mágicas de Ibiza, Danny Rampling, abriu uma outra discoteca, a Shoom, também em Londres. E o acid house, viajando da capital britânica à boleia do Ecstasy, rapidamente percorreu mais de 300km para norte, chegando à Haçienda pela mão de Mike Pickering e Graeme Park.

Sexo, rock n' roll. Drogas: o Ecstasy, ou E, ou MDMA. A droga de eleição da cultura clubbing. O combustível que acende o grande motor da música de dança repetitiva. Atuando diretamente no cérebro, esta substância, sintetizada pela primeira vez em 1912, provoca um aumento da sensação de empatia, um estado eufórico e uma deliciosa sensação de prazer. Segundo a Wikipédia e a ciência, claro.

Ishkur, nickname pelo qual é conhecido um fã canadiano de música eletrónica que criou um dos mais completos e hilários guias do género na internet, di-lo sem meias palavras: «as drogas são, provavelmente, o maior impulsionador das modas e tendências dentro da música eletrónica, mais do que as pessoas se sentem confortáveis a admitir». Poderíamos dizer que o são em qualquer outro género musical, mas isso é uma outra discussão. O Ecstasy tem que ser referido porque, sem ele, não estaríamos agora aqui a falar do “segundo verão do amor”.

Eis o nascimento da cultura rave, a beatificação da batida. Eis Manchester.
“24 Hour Party People”

Em 1979, Manchester era uma cidade cinzenta. Pelo menos era a isso que soava, segundo a bitola dos Joy Division, que nesse mesmo ano editaram o seu álbum de estreia, “Closer”. Mas o negrume das letras de Ian Curtis não poderia durar para sempre; alguém, a dada altura, teria que apostar nm glorioso technicolor. A trágica morte do vocalista, em 1980, significou o renascer dos seus colegas nos Joy Division: adotaram o nome New Order, trocaram – ou quase – as guitarras pelos sequenciadores, e começaram a trilhar, com 'Blue Monday', clássico de 1983, um percurso que os elevou a semi-deuses da música eletrónica de dança.

Se falamos dos New Order, temos também que falar da Haçienda, clube noturno que durante muito tempo sobreviveu dos lucros obtidos com a venda dos discos da banda (uma história que já foi contada vezes sem conta, e que também não pertence aqui). No “segundo verão do amor”, que durou de 1988 a 1989, a Haçienda foi ponto obrigatório de passagem para quem consumia tanto o Ecstasy quanto o acid house. E agiu, à semelhança das supracitadas discotecas de Londres, como uma espécie de embaixadora oficial da cultura de Ibiza, através das noites “Hot”, criadas por Mike Pickering.

Ibiza não escapou às garras dos New Order, que gravaram na ilha uma pequena parte de “Technique”, álbum de 1989 onde as influências acid house são notórias. O patrão da Factory Records (a editora dos New Order e de muitas outras coisas boas em Manchester), Tony Wilson, referiu-se a estas sessões como “as férias mais importantes” que a banda alguma vez teve, já que – apesar de vários carros partidos, bronzeados britânicos e consumos exacerbados de álcool e drogas – “Technique” ajudou “a levar a loucura para Manchester”.

A loucura alteraria a cidade para sempre. Manchester tornou-se Madchester, epicentro da cultura juvenil não só britânica como de todo o mundo. As bandas rock mais jovens, que tinham tanto respeito pelas regras quanto DJ Alfredo, não se importaram de ver as suas queridas guitarras darem espaço aos sintetizadores, abraçando este estilo de música e todas as suas idiossincrasias (e sobretudo as drogas). “24 Hour Party People”, livro escrito a pensar no filme com o mesmo nome, define-o bem: «Os miúdos de Manchester têm as melhores coleções de discos, e são mais abertos a influências exteriores».

É neste momento que os Happy Mondays e os Stone Roses, pegando naquilo que os New Order já haviam feito – fundir o rock n' roll com a música eletrónica – se tornam famosos. Não só porque acabariam a fazer discos extraordinários, mas também porque os DJs, os pastores dessa religião da dança, observaram-nos atentamente e incluíram-nos nos seus sets, adaptando-os dos palcos para os pratos, remisturando-os (como Oakenfold fez com os Happy Mondays). O “segundo verão do amor” encontrava a sua música – acid house e rock indie dançável –, tal como o primeiro, no final dos anos 60, o havia feito com Jimi Hendrix, Janis Joplin ou os Doors.

As discotecas enchiam-se para prolongadas noites de dança. O MDMA afetava todos, de todas as classes e grupos sociais. Nesses anos, verificou-se um decréscimo no número de casos de hooliganismo: mais que andar à bulha, os fanáticos por futebol preferiam engolir uma pastilha, afundar-se na música e colar autocolantes sorridentes (o smiley sorridente, ou :) sobre fundo amarelo, é o símbolo oficial do acid house). A palavra rave, que tem a sua origem nos beatniks dos anos 50, voltou a fazer parte do léxico inglês para, desta feita, passar a descrever as festas e noitadas com que a juventude procurava esquecer Thatcher e o desemprego. Mas, rapidamente, tudo se desmoronaria.

'Música' inclui sons inteiramente ou predominantemente caracterizados pela emissão de sucessivos ritmos repetitivos
Criminal Justice and Public Order Act 1994

A 14 de julho de 1989, o Ecstasy fez a sua primeira (não de muitas, felizmente) vitima mortal no Reino Unido: Clare Leighton, de apenas 16 anos, caiu inanimada na pista da Haçienda após ter tragado uma pastilha oferecida pelo seu namorado. Se a perspetiva de ver uma juventude entregue ao excesso já não era agradável para muitos setores conservadores, a morte de Leighton foi uma das gotas que começaram a fazer transbordar o copo.

As outras foram o espírito anárquico que começou a tomar conta das raves. A música começou a ganhar em agressividade: do acid house brotaram subgéneros como o hardcore, o gabber ou, mais tarde, a música jungle, que daria origem ao drum n' bass. A “pureza” do Ecstasy começou a perder-se, e a droga começou a ser cortada com substâncias mais nocivas e perigosas, que para além de arruinarem corpos também arruinavam mocas. Traficantes de droga como os que vemos em “White Lines” levavam as suas escaramuças para os clubes e para fora deles: Manchester foi uma das cidades que mais sofreu, e a dada altura houve tantos tiroteios na cidade que a começaram a apelidar de “Gunchester”...

Não só isso, como as raves começaram também a sair dos clubes para o “mundo real”: terrenos mais ou menos desocupados, em meios rurais britânicos, passaram a acolher festas privadas ou de entrada gratuita (as free parties), que arrastavam consigo milhares e milhares de pessoas e arruinavam as noites de sono de dezenas e dezenas de residentes. As autoridades britânicas carregaram em força contra as raves; a classe política começou pela crítica feroz, passou pelas multas pesadas e acabou a criar uma lei, intitulada “Criminal Justice and Public Order Act 1994”, que ainda hoje se encontra em vigor e que proíbe festas não-autorizadas e “comportamentos anti-sociais”.

créditos: JAIME REINA / AFP

Em “White Lines” (e isto parece spoiler mas não é) é essa mesma lei que leva o jovem Alex a mudar-se de Manchester para Ibiza. Na realidade, foi essa mesma lei que levou, indiretamente, à massificação da música eletrónica pelo mainstream, nos anos 90 e no novo milénio: os clubes noturnos continuaram a dar espaço ao cada vez mais crescente (em quantidade e estatuto) número de DJs; abandonando a anarquia e o underground, festivais de música dedicados ao género foram nascendo por toda a Europa. À semelhança de muitas outras subculturas assimiladas pelo capital, as raves, ao tornarem-se num elemento legalizado, perderam muito do seu espírito original – mas acabaram por garantir a sua imortalidade, bastando-lhes cumprir todas as regras.

Se no Reino Unido houve proibição, em Ibiza houve excesso ao ponto da sobredose. A economia da ilha tornou-se dependente da noite e do clubbing. Já não existe mercado para turistas mais idosos, curiosos com a beleza natural da ilha; nos dias que correm Ibiza é praticamente uma colónia britânica, uma ideia vendida por agências de turismo a jovens que procuram, não o frémito, mas uma pre-conceção nostálgica daquilo que essa sensação foi para os seus pais ou irmãos mais velhos. Em “White Lines” tudo isto nos é simbolicamente apresentado: Alex foi rei em Ibiza quando esta ainda era Meca, ao passo que a sua irmã, Zoe, agarrou-se a um passado que pouco viveu, tentando redescobrir-se na ilha mas acabando apenas por se perder.

Mesmo que “White Lines” possa ser uma alegoria para a morte de uma parte da cultura rave, não há muito espaço para a sua sonoridade (sobretudo a mais “clássica”). Certo: a trama principal – um homicídio, e não o DJing – a isso obriga. Há sobretudo uma espécie de ideia romântica daquilo que foi a cultura clubbing em Ibiza, nos anos 90, mas esta é-nos apresentada quase como se de um poema docinho e pateta no Instagram se tratasse: serve para deixar um “gosto”, se estivermos suficientemente aborrecidos, e pouco mais. Ficam sobretudo as referências (especialmente a do episódio final, a uma das performances mais badaladas dos KLF), um par de canções obrigatórias e a ideia de que dez episódios (e uma série de parágrafos, neste mesmo artigo) não servem para contar toda a importância que Ibiza teve para o mundo da música. Mas pode ser que haja uma segunda temporada, não é?

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