Em entrevista à agência Lusa a poucos dias do concerto de sábado no coliseu de Lisboa – seguindo-se o coliseu do Porto a 04 de fevereiro -, os quatro músicos dos Deolinda contaram que estes serão espetáculos para “matar saudades” de toda a discografia, de “Canção ao lado” (2008) a “Outras histórias” (2016).

“Nos concertos que fomos construindo não dava para ter todas as canções. Muitas canções com caráter mais intimista foram ficando de lado, porque os concertos foram sempre ganhando uma dinâmica muito forte, sobretudo ao ar livre. Decidimos ir buscar algumas canções dessas e construir esse concerto com esse caráter mais intimista”, afirmou o guitarrista Luís José Martins.

Os primeiros ensaios aconteceram em 2005, mas os Deolinda colocam o conta-quilómetros de carreira a partir do primeiro concerto, numa noite de verão em junho de 2006 no bar Cefalópode, em Lisboa, onde estavam sobretudo amigos.

Era o começo de um grupo com um pé na tradição e outro na modernidade, juntando os irmãos guitarristas Pedro da Silva Martins e Luís José Martins, a cantora Ana Bacalhau e o contrabaixista José Pedro Leitão.

Em 2007 editaram o tema “Contado ninguém acredita” numa coletânea de novos talentos e um ano depois saiu o disco de estreia, “Canção ao lado”, do qual fazem parte as canções “Fado Toninho” e “Movimento Perpétuo Associativo”.

Uma década depois, os Deolinda tocam para audiências numa escala maior do que a daquele bar lisboeta, contam com centenas de concertos e digressões internacionais e canções que se deixam influenciar por outras paragens sonoras.

A banda editou os álbuns “Dois selos e um carimbo” (2010), “Mundo pequenino” (2013) e um álbum ao vivo, com o concerto no Coliseu de Lisboa em 2011. Foi nesses primeiros concertos nos coliseus que o grupo estreou o tema “Parva que sou”, que ganhou uma maior dimensão pública por fazer referência à precariedade e à austeridade.

De regresso a estes palcos, Pedro da Silva Martins, principal compositor do grupo, dá o mote para o espírito do quarteto: “Estivemos a fazer uns ensaios e senti essa frescura e essa vontade e entusiasmo e as próprias canções ainda nos dão pica”.

O alinhamento do concerto não deverá fugir das canções mais conhecidas, mas os músicos dizem que escolheram outras que eles próprios tinham saudades, incluindo as que tocaram nos primeiros ensaios de todos.

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