As duas obras chegam às livrarias no dia 22, sendo o “Diário” uma novidade completamente inédita, já que é a primeira vez que a grande obra prima daquele que é considerado um dos maiores autores de vanguarda do século XX é publicada em Portugal.

“Diário” é também a obra mais pessoal, e simultaneamente a mais universal, de Witold Gombrowicz, cujo primeiro volume tem tradução direta do checo por Teresa Fernandes Swiatkiewicz.

O segundo volume está previsto chegar a Portugal em 2022.

Rita Gombrowicz, viúva e responsável legal pela publicação póstuma dos textos do escritor, descreve “Diário” como uma “autobiografia em movimento, ensaio e obra de arte”, um livro “incomparavelmente rico”, que “ocupa um lugar único na literatura contemporânea”.

Neste primeiro volume é relatada a chegada de Witold Gombrowicz à Argentina, a bordo do transatlântico Chobry, em 1939, em vésperas de rebentar a Segunda Guerra Mundial, que o obrigou a um exílio de mais de duas décadas.

Com parcos recursos e isolado, foi neste país – tornado numa segunda pátria - que escreveu o grosso da sua obra, nomeadamente “Transatlântico”, “Pornografia” e “Cosmos”, além deste “Diário”.

Proibido pelo regime comunista, o livro só foi publicado na Polónia em 1986, dezassete anos após a morte do escritor.

Quanto a “Malina”, da escritora austríaca Ingeborg Bachmann, uma das grandes apostas editoriais da Antígona, é um clássico feminista moderno que surge no quinquagésimo aniversário da sua publicação original (1971), com tradução de Helena Topa e posfácio da dramaturga e escritora austríaca, Nobel da Literatura em 2004, Elfriede Jelinek.

Adaptado ao cinema por Werner Schroeter em 1991, com guião de Elfriede Jelinek, e Isabelle Hupert como protagonista “Malina” trata de um triângulo amoroso numa Viena decadente.

É uma viagem aos limites da linguagem e da loucura de uma mulher, mas, sobretudo, um retrato existencial lúcido e poderoso.

“O fascismo é a coisa primeira a vigorar na relação entre um homem e uma mulher. Eu quis dizer que aqui, nesta sociedade, a guerra é constante. Não há guerra e paz, há só guerra”, afirmou Ingeborg Bachmann sobre o seu livro.

Na opinião de Elfriede Jelinek, a autora de “Malina” foi “a primeira mulher da literatura do pós-guerra, no espaço de língua alemã, a retratar, através de meios radicalmente poéticos, a continuação da guerra, da tortura, da aniquilação na sociedade e nas relações entre homens e mulheres”.

“Malina” é o único romance de Ingeborg Bachmann, pensado como primeiro volume de uma trilogia que ficou interrompida pela morte da autora, mas que é até hoje classificado como um romance de culto.

A The New York Review of Books escreveu que “em ‘Malina’ não há nada que Bachmann não consiga fazer com as palavras”, enquanto o escritor austríaco Thomas Bernhard não hesitou em classificar Ingeborg Bachmann como “a mulher mais inteligente e importante que a Áustria deu ao mundo”.

Ainda no dia 22 de novembro, chega às livrarias “Comboios rigorosamente vigiados”, de Bohumil Hrabal, o segundo livro deste autor checo que a Antígona publica, depois de “Uma Solidão Demasiado Ruidosa”.

Em tradução direta do checo de Anna Nemcová de Almeida, este é um clássico da literatura do pós-guerra, datado de 1965, considerado “uma pequena obra-prima de humor, humanidade e heroísmo”.

Adaptada ao cinema por Jiri Menzel, em 1968 (vencedor do Óscar então designado por Melhor Filme Estrangeiro), a história acompanha a vida numa pacata estação ferroviária da Checoslováquia ocupada pelos nazis, nos últimos dias da guerra na Europa, onde trabalha Milos Hrma, um jovem aprendiz com um “hilariante historial de família”, no qual se destaca um avô que quis deter os tanques alemães pelo poder da hipnose.

Ainda para este mês, está prevista a publicação de “Do assassínio como uma das belas-artes” (1827), de Thomas de Quincey, e de “Nós, refugiados / Para lá dos direitos do Homem”, de Hannah Arendt e de Giorgio Agamben.

O primeiro é um clássico do humor negro e da provocação, sobre a arte de assassinar, à luz de considerandos estéticos, por se tratar de um exercício, segundo o autor, tão digno de ser apreciado como uma bela obra artística.

O outro livro é a junção num só volume de dois textos que refletem um diálogo transcontinental e transtemporal entre dois autores, mas que se mantém “atual e pertinente à luz do estado do mundo”, segundo a editora.

Em “Nós, Refugiados”, escrito em 1943, durante o exílio nos EUA, Hannah Arendt aborda a crise de identidade do povo judeu, problematizando a questão da assimilação e a condição do “refugiado”.

Cinquenta anos depois, Giorgio Agamben, em “Para lá dos direitos do homem”, dialogava com o texto de Hannah Arendt, tomando por ponto de partida um outro conjunto de “figuras de fronteira”, os palestinianos em Israel.

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