A coleção, que reúne todos os volumes da Michelin, é uma das duas existentes no mundo – a outra é propriedade de um belga e -, garantem os irmãos, já não é possível reproduzir uma nova coletânea completa dos guias editados pela marca francesa.

Antonio e Juan Cancela, irmãos gémeos, iniciaram o interesse pelo mundo dos guias gastronómicos ainda em jovens, em viagens com os pais.

Começaram a comprar edições e, depois, fizeram a pesquisa em livrarias e alfarrabistas, em contactos com colecionadores, mas a internet “foi a grande chave” para conseguirem fechar a coleção, em 2012, e que agora se limitam a atualizar com as edições anuais.

A coleção encontra-se “na Costa da Morte”, no norte de Espanha, mas a sua localização concreta não é revelada por Antonio e Juan Cancela, que indicam apenas que os 40 exemplares mais valiosos estão num banco.

No total, os quase 900 livros correspondem a mais de 30 países onde a Michelin publicou.

O guia mais valioso é a primeira edição lançada em França, em 1900, que teve mais de 30 mil exemplares. Segundo Antonio Cancela, há uns anos foi vendida uma cópia por 22 mil euros.

Mas, referem os colecionadores, o exemplar mais difícil de obter foi o primeiro lançado para Espanha e Portugal, em 1910.

“Nem chegaram a fazer mil exemplares e, atualmente, no mundo só há oito”, explicaram.

Sobre o valor total da coleção, os irmãos não se atrevem a adiantar um número: "Que valor podes dar a uma coisa que já não se consegue reproduzir?", perguntam.

Antonio e Juan, profundos conhecedores da história do “guia vermelho” (numa alusão à cor da capa), relatam de memória vários dados.

Desde logo explicam que, em mais de 100 anos, a Michelin apenas dedicou 20 guias a Portugal de forma exclusiva.

O primeiro guia de Portugal foi lançado em 1913, mas só em 1995 voltaria a ser publicado de forma regular, o que aconteceu até 2013.

De resto, os restaurantes em Portugal são integrados nas edições de Espanha e Portugal logo nos primeiros anos (de 1910 a 1914), depois em anos ‘salteados’ - 1917, 1927, 1929, 1930, 1936 e de 1973 até 2017.

A coleção nunca foi exibida, de forma integral, ao público, e os irmãos Cancela admitem que gostariam de estrear a exposição em Portugal, “um país vizinho e amigo” e que, no ano passado, registou sete novas entradas no guia.

Para Antonio Cancela, "o 'guia vermelho' é a Bíblia dos guias, é o único que, com as suas classificações, cria jurisprudência no mundo da hotelaria".

Os colecionadores destacam "a seriedade, o rigor, a independência e profissionalismo dos seus temidos e respeitados inspetores que, todos os anos, visitam milhares de hotéis e restaurantes em todo o mundo".

O guia Michelin distingue restaurantes com estrelas: uma ("muito bom na sua categoria"), duas ("cozinha excelente, vale a pena o desvio") ou três ("cozinha de nível excecional, que justifica a viagem").

Portugal tem, atualmente, cinco restaurantes com duas estrelas (Belcanto, Vila Joya, Ocean, The Yeatman e Il Gallo d'Oro) e 16 com uma estrela (Alma, Antiqvvm, Loco, Lab by Sergi Arola, Casa de Chá da Boa Nova, William, L’And Vineyards, Willie’s, Largo do Paço, Pedro Lemos, Fortaleza do Guincho, Eleven, São Gabriel, Bon Bon e Feitoria).

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