É o lado desconhecido do ator que durante vários anos — especialmente na década de 90 — era tido com um dos reis da comédia. Aos 55 anos, Jim Carrey, o protagonista de filmes como "Ace Ventura", "The Truman Show" e "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" mostra a outra face de um artista, que, tal como Robbin Williams, fez carreira a provocar o riso alheio enquanto lutava contra os demónios interiores de uma depressão.

Mas parecem tempos idos. Recentemente, as manchetes que tem feito são de outra natureza. A morte da sua ex-namorada, a irlandesa Cathriona White, que se suicidou apenas alguns dias depois de ter terminado a relação com Carrey, levou a que a sua família culpasse o ator pelo ato, iniciando uma batalha legal que, avaliando pelas últimas notícias, não estará resolvida num futuro próximo.

Nos últimos anos, tem participado em produções mais pequenas e que não chegaram propriamente ao radar do público generalizado. Em 2013, apenas ‘Kick-Ass 2’ poderá ser considerada uma excepção. (A sequela de 'Doidos à Solta', um ano depois, revelou-se um fracasso de bilheteira e arrasado pela crítica) E, talvez, mesmo neste caso, até mais porque não quis promover o filme devido a um tiroteio numa escola norte-americana.

”Fiz o 'Kick-Ass 2' um mês antes do tiroteio na Sandy Hook e agora, em plena consciência, não posso tolerar este nível de violência", revelou, na altura, o ator, numa alusão ao tiroteio naquela escola de Newton, no estado do Connecticut, nos Estados Unidos, que fez 26 mortos, dos quais 20 crianças. Nesse filme, Carrey interpretava o coronel 'Stars and Stripes', um velho mafioso que se torna chefe de um grupo de justiceiros.

Este ano, protagoniza um papel secundário no filme “The Bad Batch”, trama que segue uma comunidade de canibais, ao qual o site de cinema IndieWire, escreve que Carrey fornece uma performance “incrível” e "irreconhecível" — ainda que se recuse a falar ou promover o projeto.

Podia ser o ponto de viragem de uma carreira estagnada e marcada pelo suicídio da namorada vinte e pouco anos mais nova. Só que em 2017 canadiano revelou uma veia artística, até agora, desconhecida do grande público. E que está a ganhar destaque e a ser comentada um pouco por todo o lado nos Estados Unidos.

Realizado por David Bushell, “I Needed Color”, é uma curta-metragem de 6 minutos que foi publicada no Vimeo há cerca de duas semanas, mas que agora saltou para notoriedade por estar nas “Escolhas” do staff da plataforma de vídeo.

Este documentário, como dá conta o IndieWire, mostra um Jim Carrey reveladoramente humano, que sentiu, há cerca de seis anos, necessidade de se expressar a pintar. A explicação é dada pela voz do ator, enquanto pudemos ver o artista em plena execução, pela criação.

“Penso que aquilo que faz de alguém um artista são os modelos da sua vida interior. Eles criam algo físico que é inspirado nas suas emoções, necessidades ou que sentem que o público precisa”, revela o ator.

Em pouco mais de cinco minutos, o ator, que nasceu no Ontário, no Canadá, revela a inspiração dos tempos de infância, de pobreza, isolado no seu quarto, a ler poesia e outras razões que o ajudam a compor as suas criações.

Este documentário surpreendeu e promete continuar a surpreender quem desconhecia o talento de Carrey na outra tela que não a do cinema. Famosos e não famosos. Conhecidos ou menos conhecidos, parece ser difícil ficar indiferente. LeBron James, jogador de basquetebol norte-americano, como destaca o catalão La Vanguardia, é um desses casos.

“Isto é incrível. Não fazia ideia. Trabalho inacreditável @Jim Carrey. Adoraria ver alguns dos teus trabalhos pessoalmente, um dia destes! Adoro arte”, escreveu a super estrela da NBA no seu Twitter.

Jim Carrey: I Needed Color from SGG on Vimeo.

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