A exposição, explica a BNP em comunicado, “procura, a partir de algumas das suas obras ficcionais — ‘O caminho fica longe’, ‘Manhã submersa’, ‘Aparição’, ‘Para sempre’, ‘Na tua face’ e ‘Alegria breve’ — e ensaísticas — ‘Invocação ao meu corpo’, ‘Interrogação ao destino’, ‘Malraux e Da Fenomenologia a Sartre’, ensaio que abre a edição portuguesa de ‘O existencialismo é um humanismo’, de Jean Paul Sartre — dar relevo ao(s) processo(s) de escrita”.

Esta narrativa expositiva é completada por cartas, fotografias, citações, “ora sugerindo o enquadramento do escritor no seu universo relacional, ora assinalando reflexões próprias sobre a sua ‘arte’, a escrita, e a ‘arte’ alheia”, explica a BNP.

“Um núcleo evocando a relação de Vergílio Ferreira com artistas plásticos e as suas obras” encerra o percurso expositivo.

A mostra, patente até 14 de janeiro próximo, na Sala de Referência da BNP, destaca a documentação do seu espólio, incorporado, a partir de 1998, no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da biblioteca, por doação dos herdeiros do escritor.

O centenário do nascimento de Vergílio Ferreira motivou a edição, ao longo deste ano, da sua obra completa, que, pela primeira vez, passou a estar totalmente disponível nas livrarias portuguesas, segundo fonte da editora Quetzal, que a passou a publicar.

Segundo a Quetzal, “é a primeira vez que a obra de Vergílio Ferreira estará totalmente disponível para os seus leitores, dos romances iniciais — ‘O caminho fica longe’, ‘Vagão J’, ‘Mudança’ -, até aos derradeiros títulos – ‘Cartas a Sandra’, ‘Na tua face’, ‘Em nome da terra’ -, passando pelos ensaios”.

Vergílio Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, uma aldeia da Beira Alta, no concelho de Gouveia. Quando tinha dez anos, os pais emigraram para o Canadá e Vergílio ficou em Portugal, com os irmãos mais novos. Uma peregrinação ao Santuário de Lourdes, em França, influenciou o menino de 12 anos, que decidiu entrar no Seminário do Fundão, de onde saiu aos 18.

A sua experiência nesta escola eclesiástica serviu de mote ao romance “Manhã submersa” (1954), que Lauro António adaptou ao cinema, em 1980, assinando o argumento com o escritor.

Em 1990, esta obra foi distinguida em França com o prémio Fémina de melhor romance estrangeiro.

Vergílio Ferreira não seguiu a vida religiosa, terminou os estudos no então Liceu da Guarda e matriculou-se, depois, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo concluído a licenciatura de Filologia Clássica, em 1940. Durante a vida universitária publicou alguns poemas.

Licenciado, iniciou a carreira de docente do Ensino Secundário, em Faro, tendo lecionado, entre outros estabelecimentos, nos liceus de Bragança e em Gouveia. Fixou-se em Lisboa, com a efetivação no Liceu Camões.

Ao longo da sua carreira como escritor, recebeu vários prémios entre os quais o D. Dinis, em 1981, P.E.N. Clube de Novelística, por duas vezes, em 1984 e 1991, o de Ensaio, em 1993, o da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 1984.

Recebeu Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1987 e em 1993, respetivamente por “Até ao fim” e “Na tua face”, e o Prémio Camões, em 1992, ano em que foi eleito para a Academia de Ciências de Lisboa.

Em 1979 foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

O escritor morreu no dia 01 de março de 1996, no seu apartamento, em Lisboa, onde residia, e está sepultado em Melo, virado para a Serra da Estrela, conforme a sua vontade.

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