Faiz Siddiqui, de 38 anos, licenciou-se em História Moderna na Faculdade de Brasenose, em Oxford, há 16 anos, e disse em tribunal que teria tido uma carreira de grande sucesso enquanto advogado comercial internacional caso terminasse o curso como médias de honra de “primeira classe” e não de “segunda”.

Siddiqui, que trabalhou como solicitador depois de concluir a universidade, diz que a sua vida e carreira profissionais foram “arruinadas” por não ter conseguido terminar o curso com honras de primeira classe, o grau de classificação máximo do ensino britânico.

O ex-aluno justifica que o insucesso na disciplina de História Imperial Indiana se deveu à negligência do “mau tutor” desta cadeira. E segundo alega a defesa de Siddiqui, o “mau tutor” teve influência direta na sua classificação final, uma vez que a nota por si atribuída fez com que tivesse terminado o curso com honras de segunda classe, divisão superior, vulgo "two-one", o mínimo obrigatório para garantir uma vaga num curso de grau superior a uma pós-graduação no Reino Unido.

Mais: reclama uma perda de rendimentos de pelo menos um milhão de libras ao reitor e professores da universidade.

De acordo com o Sunday Times (artigo disponível na sua totalidade só para assinantes), a defesa de Siddiqui indica que este sofre de insónia e depressão. Na origem dos sintomas está a negligência do "mau tutor" durante o semestre e classificação final de curso resultante desta.

A defesa disse ainda em tribunal que esta classificação “impediu o seu cliente de se tornar num bem sucedido advogado comercial”.

A Universidade de Oxford argumenta que a alegação não tem qualquer fundamento devido ao número de anos que passaram desde que Siddiqui terminou o curso.

No entanto, a academia assumiu "dificuldades" no ano em que Siddiqui se formou porque metade do corpo docente responsável pelo departamento de História da Ásia estava, ao mesmo tempo, em licença sabática.

No ano letivo em questão, 1999/2000, quatro dos sete professores estavam em ano sabático, o que para a defesa “é facto inquestionável e claro” de que a universidade sabia desta situação de forma antecipada. Acrescentou ainda que dos quinze alunos que fizeram o mesmo exame de final de curso que Siddiqui, 13 receberam notas baixas.

Partindo desta premissa, a defesa fala de uma “anomalia estatística” que espelha “um problema específico com qualidade de ensino” daquele ano. O advogado do ex-aluno esclareceu ainda que as más notas em larga escala estão relacionadas com o nível de ensino marcado pela falta de apoio e qualidade a nível pedagógico. “Os padrões de ensino foram objetivamente inaceitáveis”, concluiu o advogado.

O resultado do julgamento é esperado no final do mês de dezembro, sendo que a equipa legal alega que Siddiqui “é o único aluno em condições e com causa justificável para apresentar uma queixa contra a universidade nesta matéria”.

Caso ganhe o processo, o The Guardian indica que o caso pode desencadear uma série de reclamações e reivindicações de ex-alunos com queixas de natureza semelhante por ensino inadequado, más avaliações académicas ou por fraca instrução.

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